Quinta-feira - 16:22 - Há forma segura de manter vida sexual ativa em meio à varíola dos macacos? Veja Abaixo

15 de setembro de 2022 · AM · Notícias em Geral

O novo surto da varíola dos macacos, decretado como emergência de saúde pública global pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em julho, levanta um alerta às populações sexualmente ativas. Isso porque o vírus infecta as pessoas por contato entre peles e por objetos de uso íntimo —como talheres, roupas e cobertores—, com o sexo sendo um momento de grande exposição ao risco. Com isso, surge a dúvida: há uma forma segura de manter a vida sexual ativa em meio à epidemia de varíola dos macacos?

Antes de responder a essa questão, Tatiana Batista, infectologista da Prefeitura de João Pessoa (PB) e professora do curso de medicina da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), explica que a varíola dos macacos não é considerada uma IST (infecção sexualmente transmissível). Isso porque não há, até agora, pesquisas conclusivas sobre se o vírus é transmitido por fluidos genitais ou pelo contato anal, em si.

Por outro lado, o sexo é uma atividade que expõe as pessoas à doença, já que o contato com a pele infectada é o modo principal de transmissão. "O ato sexual envolve o atrito, que gera microtraumas na pele que favorecem a transmissão de doenças de contato, como no caso da varíola dos macacos", diz Batista.

Para Bernardo Wittlin, médico infectologista e preceptor em infectologia no Hospital Universitário da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), essa é uma discussão delicada.

O que sabemos é que existe o vírus nos fluidos genitais, mas ainda não foi comprovado que o vírus está ativo. O problema é que quando se classifica uma doença como IST, podemos passar uma ideia e infecção. Veja alguns a seguir:



  • Use preservativo




Há um consenso científico quando se trata de saúde sexual: usar preservativo é imprescindível. Os especialistas relatam que o uso da camisinha tem caído, aumentando as infecções sexuais que fragilizam a imunidade dos pacientes, deixando-os mais suscetíveis a novas doenças, como a varíola dos macacos.

Apesar de a camisinha não proteger totalmente contra a varíola dos macacos —por ser uma doença de contato com qualquer pele infectada—, o uso do preservativo segue sendo importante para diminuir o risco de infecção, além de proteger contra ISTs diversas.



  • Reduza o número de parceiros




No fim de julho, o diretor da OMS Tedros Adhanom declarou que a redução no número de parceiros sexuais é uma medida importante. "No momento, [é indicado] reduzir o número de parceiros sexuais, reconsiderar o sexo com novos parceiros e trocar detalhes de contato com novos parceiros para permitir o acompanhamento, se necessário", afirmou.

A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) emitiram uma nota conjunta dando a mesma recomendação, além de afirmarem que "são solidárias às pessoas acometidas pela doença e não apoiam qualquer tipo de discriminação".

A questão da discriminação remete à maioria dos diagnosticados, que são homens que fazem sexo com homens —o que não significa que outros grupos não possam se infectar, como mulheres e crianças, que também têm sido diagnosticadas. Os especialistas entrevistados alertaram sobre o risco de estigmatização da população LGBTQIA+, que já sofre com marginalizações, quando se trata do tema da varíola dos macacos.

"O estigma tem ao menos duas consequências negativas: relaxa quem não é daquele grupo de risco e afasta os estigmatizados do serviço de saúde, que temem serem apontados, mal tratados", diz Wittlin. Se você suspeita estar com varíola dos macacos, procure atendimento médico cobrindo as áreas lesionadas e usando máscara.



  • Converse com os parceiros sobre o assunto




Apesar das ISTs ainda serem tabu, falar sobre o tema com os parceiros é importante. No caso da varíola dos macacos, não é diferente, e a conversa também é essencial. Se você apresentou algum sintoma ou vermelhidão em alguma parte do corpo, avise os parceiros, desmarque os encontros e procure atendimento médico. De acordo com os especialistas, quanto mais se falar das questões da saúde, melhor pode ser a proteção contra a doença.

Fazer exames periódicos para rastreio de IST e incentivar os parceiros a fazer o mesmo é uma atitude positiva que pode ajudar na conscientização sobre a saúde em geral, ajudando também a desmistificar a varíola dos macacos.

Fonte: Viva Bem UOL