Sexta-feira - 17:37 - Reajuste do salário mínimo vira arma na guerra eleitoral após plano de Guedes. Veja Abaixo

21 de outubro de 2022 · AM · Notícias em Geral

A desvinculação da correção do salário mínimo pela inflação se tornou o centro da arena política entre o governo e a oposição desde a noite de quarta-feira, quando as intenções do chefe na pasta da Economia foram divulgadas. Em agenda dupla no Rio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o assunto para criticar o rival no segundo turno, enquanto sua principal arma nas redes, o deputado André Janones (Avante), dedicou seus perfis ao tema na tentativa de desgastar Bolsonaro. Parlamentares aliados do presidente, no entanto, negam que o governo vá reduzir o valor do piso nacional, o que também foi repercutido por Bolsonaro durante participação em podcast.

Insatisfeito com o nível de autonomia para organizar os gastos do governo federal, Guedes confirmou, em entrevista na tarde de ontem, que o governo estuda desvincular o reajuste do salário mínimo e de aposentadorias do índice de inflação do ano anterior. Conforme a legislação atual, o piso nacional deve ser corrigido pelo Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC). O ministro negou, porém, que o objetivo seja impedir o ganho real dos trabalhadores e pensionistas, e disse que não vai mudar "durante o jogo" a vinculação. Segundo ele, "é claro que vai ter o aumento do salário mínimo e aposentadorias pelo menos igual à inflação". Ele destaca que "quando se fala em desindexar, as pessoas geralmente pensam que vai ser menos que a inflação, mas pode ser o contrário".

Em visita à Zona Oeste da cidade do Rio na tarde desta quinta, Lula investiu no assunto para tentar reverter votos. No primeiro turno, o petista foi derrotado por Bolsonaro na capital carioca por 47% a 43%. Durante ato no bairro de Padre Miguel, o ex-presidente defendeu que em seu governo o salário tinha ganhos reais todo ano. Ele já havia adotado o mesmo discurso horas antes, na cidade fluminense de São Gonçalo, o terceiro maior colégio eleitoral do estado e onde também foi derrotado no dia 2 de outubro, por 50% a 42%.

— Importante a gente atentar para o que está acontecendo. O Ministro da Fazenda quer tirar a inflação da correção do salário mínimo. Isso significa que faz cinco anos que não tem aumento real do salário mínimo — afirmou.

Nas redes sociais, Janones também investiu pesado nas críticas ao governo Bolsonaro por meio do tema, com o reforço de nomes como Guilherme Boulos (PSOL) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Nas últimas 24 horas, foram ao menos 22 publicações de Janones em seu perfil no Twitter. Entre os posts, ele pediu que os seguidores publicassem citando o termo "BOLSONARO NÃO MEXA NO MEU SALÁRIO", e conclamou os apoiadores do petista a ajudarem a divulgar suas lives no Facebook sobre o assunto. Somadas, as transmissões ultrapassaram as 500 mil visualizações na plataforma.

 

 

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A linha foi a mesma adotada por um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nas redes sociais. Segundo o parlamentar, "Paulo Guedes nega que reajuste do salário mínimo e aposentadoria será menor do que inflação. E de quebra anuncia aumento aos servidores". O ministro e o presidente também foram defendidos pela parlamentar Carla Zambelli (PL-SP), que também compartilhou o vídeo gravado por Faria.

Fonte: Extra