Sexta-feira - 09:47 - Médicos e secretarias da Saúde voltam a recomendar o uso de máscaras, mostra levantamento feito pelo GLOBO. Veja Abaixo
Os casos de Covid-19 no Brasil voltaram a uma tendência de alta pela primeira vez desde o fim de junho. Embora especialistas não esperem uma sobrecarga dramática no sistema de saúde como em ondas anteriores da doença, já é possível observar um reflexo nas internações, o que junto à baixa cobertura com a terceira dose da vacina acende o alerta de especialistas e traz de volta um item deixado de lado nos últimos meses: as máscaras.
Em nota recente divulgada pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, a pasta reforça o uso por indivíduos do grupo de risco de agravamento da doença, como idosos, imunossuprimidos, gestantes e pessoas com comorbidades, mas volta a orientar também para a população geral em locais fechados e mal ventilados, como transportes públicos, e ambientes abertos com aglomerações. Para o ex-diretor da Anvisa e médico sanitarista da Fiocruz, Claudio Maierovitch, são casos em que o item de fato deve ser mantido.
— A Covid-19 está crescendo novamente, com aumento dos números de casos e internações. Os casos graves trazem grande sofrimento, mas há ainda pessoas que continuam com sintomas importantes por meses depois da infecção. Então é importante o uso da máscara par to de casos
A situação carioca levou a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a recomendar o uso da proteção em todos os ambientes. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC - Rio) o item passou a ser obrigatório em locais fechados. Pelo Brasil, outras grandes universidades, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), também passaram a obrigar a proteção.
Ainda assim, de forma geral as recomendações das autoridades públicas são apenas no campo da orientação. Parte dos especialistas, porém, defende que seria interessante tornar o uso obrigatório no país ao menos em locais fechados.
— O aumento atual de casos e óbitos provavelmente atravessará a virada do ano e só poderá ser contido com medidas que o governo atual não parece disposto a adotar, como uso obrigatório de máscaras em ambientes fechados e um grande esforço de vacinação, que deve incluir as vacinas de nova geração e a inclusão de todas as crianças com mais de seis meses — afirma o epidemiologista.
O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), concorda que medidas são necessárias agora para evitar uma explosão de casos ainda maior nos próximos meses, como a que o país viveu em outras ondas da variante Ômicron, mas considera que hoje a adesão à proteção é resultado de uma avaliação individual.
— Pode ser que experimentemos uma situação parecida com o ano passado, em que vivemos uma alta de casos justamente no final de ano até meados de janeiro. Se não adotarmos algumas medidas importantes de prevenção, podemos ver em breve essa explosão de casos como vivemos no início deste ano. Hoje isso é uma avaliação individual, mas vale a pena usar a máscara quando você tem esse aumento de casos importantes — recomenda o especialista.
Mori, do Observatório Covid BR lembra ainda que há diferenças entre as máscaras, e que, para aqueles que buscam maior proteção, a melhor é a PFF2 – aquela cujo elástico geralmente prende na nuca. Há ainda o modelo chamado de KN95, que é semelhante à PFF2, mas costuma ter elásticos que prendem na orelha e menor rigor de fiscalização para a venda. Ambas são reutilizáveis.
— No atual contexto em que as máscaras PFF2 estão mais baratas, disponíveis, elas devem ser priorizadas. A máscara de pano ou cirúrgica funciona basicamente para proteger o seu entorno, então a pessoa que está usando evita disseminar as partículas. Mas agora que o uso não é obrigatório, que é mais para um cuidado individual, a PFF2 é a melhor para se proteger — orienta o pesquisador.
Fonte: Extra