Sexta-feira - 16:35 - Cardeal investigado por fraude grava conversa com Papa Francisco escondido. Veja Abaixo

25 de novembro de 2022 · AM · Notícias em Geral

O cardeal italiano Angelo Becciu, investigado por fraude pelo Vaticano, gravou uma conver isco ainda se recuperava de uma operação no cólon feita naquele mês.

As informações foram reveladas pela imprensa italiana nesta sexta-feira. O áudio não foi tornado público na íntegra, mas uma audiência no Tribunal Penal do Vaticano expôs sua existência na quinta-feira.

No telefonema, o cardeal Becciu pede para que o Pontífice confirme que aprovou o desbloqueio dos fundos para libertar uma católica colombiana detida por um grupo ligado à al-Qaeda no Mali.

— Você me deu, ou não, a autorização para iniciar as operações de libertação da religiosa? — perguntou Becciu. — Tínhamos estabelecido o resgate em 500 mil euros (R$ 2,7 bilhões), não mais do que isso, porque nos parecia imoral dar mais dinheiro para os terroristas. Acho que já o havia informado de tudo isto... Se lembra?

Segundo a transcrição, publicada pelo jornal italiano Il Messaggero", o Papa responde que se lembra "vagamente". O pontífice argentino pede, então, que Becciu envie a pergunta por escrito. A ligação foi gravada no apartamento do ex-cardeal por uma pessoa próxima, segundo o tribunal.

 

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Becciu, de 74 anos, é um ex-conselheiro próximo ao Papa que foi afastado do cargo e destituído dos direitos de cardeal em setembro de 2020, após se envolver em um escândalo sobre o uso de fundos do Óbulo de São Pedro — sistema de arrecadação de doações da Igreja Católica comumente usado em obras de caridade — para a compra de um edifício em Londres.

Na época, o cardeal ocupava a segunda maior posição na Secretaria de Estado do Vaticano, responsável pela gestão do fundo, e era a terceira principal autoridade da Igreja Católica. Ele nega que os donativos tenham sido usados para a aquisição do imóvel e alega inocência.

Desde julho de 2021, quando o julgamento de Becciu teve início, várias pessoas passaram pelo Tribunal Penal do Vaticano devido a acusações de fraude, abuso de poder, desvio e lavagem de dinheiro, corrupção e extorsão.

Entre elas, Cecilia Marogna, uma intermediária contratada por Becciu como consultora de segurança por 575 mil euros (R$ 3,2 bilhões). Parte da verba foi transferida para a conta de sua empresa na Eslovênia, e parte entregue em dinheiro vivo.

Segundo os promotores do caso, os recursos aos quais Marogna — conhecida como "a dama do cardeal" na imprensa italiana — teve acesso deveriam ter sido usados para ajudar a libertar padres e freiras mantidos como reféns no exterior, entre eles a freira colombiana sequestrada no Mali. Gastou a verba, contudo, em hotéis e artigos de luxo.

O julgamento de Becciu, o primeiro de um cardeal de tão elevada posição, continua nesta sexta-feira com depoimentos de testemunhas-chave.

 

Fonte: Extra