Quinta-feira - 09:35 - A ressignificação do masculino nos dias atuais. Veja Abaixo
Nos dias de hoje, há uma pauta que ressignifica os conceitos culturais do que é masculino e feminino que o patriarcado produziu. Vejamos.
O ideal de masculinidade presente na sociedade patriarcal é repleto de estereótipos sabemos todos: virilidade, inteligência, força coragem, tenacidade, empobrecendo o campo de possibilidades de satisfação emocional que pode ser experimentado por um homem.
Há praticamente uma cisão entre o masculino e identidade sexual, entre o afetivo e o sexual. O difícil caminho para os homens hoje é a passagem de lidar com coisas, tais como sexo, trabalho, esporte, política, etc., para lidar com emoções.
Há uma crise e a crise masculina se define primordialmente pela busca de diferenciação do padrão de masculinidade socialmente estabelecido para eles que coloca o homem no plural, o que pode parecer perturbador, porém é saindo da clausura do armário que o homem pode participar mais do privado, domínio antes dirigido às mulheres, tornando-se um homem público e privado, em que o feminino e masculino misturam-se cada vez mais em cada homem e cada mulher.
No último artigo falei da mudança de gênero de Roberta Close. Eliane Borges Berutte, ao revisitar todo o drama vivido por Roberta Close, comprova que o feminino revela-se objeto interno de uma criatura oprimida pelo sistema, mas que a cada passo de sua vida busca a integração com o seu verdadeiro topos de emoção e desejo – ser o que já é interiormente – mulher.
O mundo contemporâneo oferecemos a oportunidade de experimentar novos papéis sob cujos espaços buscam-se parâmetros de masculinidade para um equilíbrio mais sábio nas relações sociais e afetivas representadas por uma literatura gay, como nos mostra José Luís Foureaux (2001).
Para tal, revisita a história e a crítica literárias dos séculos passados traçando um panorama riquíssimo das possibilidades de uma representação homoerótica.
Nessa discussão toda, que me parece também minha, no tocante à existência de uma crise ma moção e desejo – ser o que já é interiormente – mulher.
O mundo contemporâneo oferecemos a oportunidade de experimentar novos papéis sob cujos espaços buscam-se parâmetros de masculinidade para um equilíbrio mais sábio nas relações sociais e afetivas representadas por uma literatura gay, como nos mostra José Luís Foureaux (2001).
Para tal, revisita a história e a crítica literárias dos séculos passados traçando um panorama riquíssimo das possibilidades de uma representação homoerótica.
Nessa discussão toda, que me parece também minha, no tocante à existência de uma crise masculina, eu acho que a reinvenção do masculino traz em seu bojo e se define não somente pela busca de diferenciação do padrão de masculinidade socialmente estabelecido para os homens – híbridos sujeitos – , mas também por um expressionismo pungente na figura do bissexual, figura bastante presente na homocultura brasileira, Madame Satã nas representações fílmicas do mito polêmico da Lapa carioca.
José Carlos Barcellos em “A homocultura e suas razões: marcos para um debate” (2006) reflete sobre a construção da masculinidade na homocultura questionando se ela passa ou não pela procura de uma verdade interna e pelo encontro com as responsabilidades.
Ademais afirmo que a possível solução da crise masculina aponta necessariamente para uma aproximação com o feminino. Há mister uma redefinição no sistema de gêneros:
“O problema teórico central da homocultura – ou cultura homossexual, cultura gay, cultura queer, consoante os diferentes referenciais teóricos ou os posicionamentos político-ideológicos assumidos distintamente: saber se a preferência por determinadas práticas sexuais ou por certas formas de vivência afetiva é uma base suficiente para a construção do complexo discurso designado por “cultura”. Muitos o negariam, como imaginamos e/ou sabemos.
No entanto, precisamente porque o âmbito da cultura heteropatriarcal hegemônica “determinadas práticas sexuais” ou “certas formas de vivência afetiva” extravasam por completo a esfera da mera sexualidade ou da afetividade e são tidas como reveladoras da verdade humana dos indivíduos que nelas se engajam e como definidoras de seu lugar social, essa mesmas práticas podem propiciar, a contrapelo, a construção de todo um complexo discurso que temos chamado de homocultura. Sim, uma reorganização do masculino!
Fonte: Portal Viu