Quinta-feira - 21:46 - Itaperunenses participam de documentário que lembra os 11 anos da morte de Patrícia Acioli, Juíza do Povo. Veja Informações e vídeo abaixo
Assassinato de magistrada por PMs em Niterói completa 11 anos com documentário
O longa tem a participação de dois itaperunenses: a jornalista Maria Inêz Magalhães, que é produtora do documentário e o ator Lucas Toledo, que faz o papel de um dos assassinos da juíza nas cenas de reconstituição do crime.
"Patrícia Acioli, A Juíza do Povo" traz imagens e histórias inéditas sobre o crime e a vida da magistrada e levanta uma reflexão: o que mudou na política de segurança pública após o crime?
O crime que chocou o país, afrontou a democracia e a independência do Poder Judiciário, colocou na prisão 11 policiais militares, inclusive o comandante do batalhão de São Gonçalo. O assassinato da juíza Patrícia Acioli, completa 11 anos, no próximo dia 11, com pré-estreia para convidados do documentário "Patrícia Acioli, a juíza do povo". O filme resgata personagens e memórias, traz imagens e histórias inéditas sobre a magistrada morta em 2011, por PMs do 7º BPM (São Gonçalo), em Piratininga, Niterói, onde morava.
O longa-metragem tem roteiro e direção do jornalista Humberto Nascimento, primo da juíza, produção executiva da 5E60 Conteúdo e Produções Artísticas e música-tema "O Real Resiste", do cantor e compositor Arnaldo Antunes. "Patrícia Acioli, A Juíza do Povo" foi um dos projetos vencedores do 2º Edital de Fomento ao Audiovisual da Prefe de parentes de um menor infrator que ela adotou, de policiais que trabalharam com magistrada e que investigaram o crime, do jurista Técio Lins e Silva, de defensores públicos, parentes de vítimas mortas por policiais.
CENA DO ASSASSINATO
Sem nenhum registro do momento do assassinato de Patrícia Acioli - no local do crime não havia câmeras - o documentário vai revelar exatamente como ela foi morta. A cena foi reproduzida com base no depoimento de um dos executores da magistrada, o cabo Sérgio Costa Júnior. Ele desferiu 15 dos 21 tiros que acertaram a juíza e fez delação premiada ajudando a desvendar com detalhes a trama. Os últimos minutos de vida da juíza foram gravados no mesmo local do crime com participação de atores. Até o carro em que ela estava quando foi assassinada é do mesmo modelo.
"Reproduzir a cena da morte da Patrícia, com as mesmas características descritas pelo delator que efetuou a maioria dos disparos, no mesmo local do crime, foi um baque emocional muito grande. Esse documentário tem sido uma catarse, não só para mim, mas para todos que entrevistamos", lembra o diretor.
CRIMES CONEXOS
Além da morte da juíza, o longa também traz reproduções de alguns assassinatos em São Gonçalo que eram de atribuição da 4ª Vara Criminal e, portanto, de responsabilidade da magistrada. Os casos foram elucidados e os autores, presos. As cenas também foram reproduzidas com base em depoimentos que constam nos processos. Entre eles, a execução de dois rapazes que não tinha envolvimento com o crime, mas que na delegacia os policiais registraram os casos como auto de resistência. Indignadas, as mães do rapazes procuraram a juíza e, juntas, descobriram as farsas.
A JUÍZA DO POVO
Uma das cidades mais violentas do estado do Rio, São Gonçalo resgistrava, em média, dois assassinatos por dia. A elucidação e redução desses crimes aconteceu graças a um trabalho conjunto de Patrícia Acioli com a Polícia Civil e o Ministério Público de São Gonçalo. Os índices de homicídios nesta época chegaram a zerar.
Promotor em São Gonçalo, Paulo Roberto Melo Cunha, trabalhou muutos anos com Patrícia Acioli. "Se chegasse o últimos dos desvalidos e dissesse 'quero falar com a juíza', Patrícia parava tudo e o atendia", lembra o promotor. "Tanto que o enterro de Patrícia foi a maior comoção. Havia muitos moradores de São Gonçalo, pessoas comuns. Um deles, uma mulher, chegou para mim e disse 'doutor, mataram a juíza do povo'. Isso diz muito sobre a atuação de Patrícia', lembra, ele, emocionado.
POLICIAIS CONDENADOS
Os 11 policiais militares envolvidos no assassinato da juíza Patrícia Acioli foram condenados e estão presos. Desses, nove eram praças e foram expulsos da Polícia Militar pouco tempo depois de serem julgados. No entanto, 11 anos depois do crime, o tenente Daniel Benitez, e o tenente-coronel Claudio Oliveira, ambos condenados a 36 anos de prisão pelo assassinato, permancem na PM. Daniel Benitez cursa Medicina e ganha R$ 10 mil por mês. Já o coronel Claudio recebe um soldo de R$ 54 mil.
Além de reverenciar a memória de Patrícia e homenagear uma profissional que pagou com a vida o preço por enfrentar a criminalidade de uma cidade violenta como São Gonçalo, "Patrícia Acioli, A Juíza do Povo", traz também uma reflexão: o que mudou na política de segurança pública do estado do Rio mais de uma década depois de um crime que foi um atentado à democracia? "Assistam o documentário e tirem suas próprias conclusões", recomenda o diretor Humberto Nascimento.