Terça-feira - 19:54 - Financiamento do Brasil a gasoduto poluente na Argentina preocupa especialistas: 'Vergonha binacional'. Veja Abaixo

24 de janeiro de 2023 · AM · Notícias em Geral

Ao comentar o possível financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção de um gasoduto na Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ignorou os impactos ambientais da obra e acendeu sinal de alerta entre especialistas do setor de energia e da área econômica.

A expectativa da Argentina é conseguir financiamento na ordem de US$ 689 milhões para a execução da segunda etapa do gasoduto Presidente Néstor Kirchner, na região de Vaca Muerta, na Patagônia. O local tem a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e é a quarta maior em óleo de xisto.

No entanto, o investimento em um gasoduto que utiliza técnicas de exploração consideradas nocivas ao meio ambiente contradiz a política ambiental e de transição energética que o petista defende desde a campanha eleitoral, comenta Ilan Zugman, ativista climático brasileiro e diretor da 350.org na América Latina.

Para Zugman, o investimento a elo embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli.

Em 2021, a Argentina exportou eletricidade para o Brasil ao custo de 1 bilhão de dólares (mais de R$ 5,3 bilhões), além de 350 milhões de dólares (cerca de R$ 1,8 bilhão) em gás. Em 2022, o Brasil forneceu eletricidade à Argentina no valor de 250 milhões de dólares (mais de R$ 1,3 bilhão). O novo contrato permite a utilização do Sistema Bilateral de Pagamentos em Moedas Locais para saldar as compras de energia.

No marco da assinatura do memorando, o governo argentino informou que estava em negociação com o Brasil para obter financiamento para as próximas etapas da construção do gasoduto. “A integração energética está se tornando uma realidade”, destacou o presidente argentino, Alberto Fernández, após a assinatura do acordo.


Calote de vizinhos



A liberação de recursos do BNDES para obras em outros países, principalmente a governos autoritários, é motivo de críticas no Brasil, devido à inadimplência nos contratos. Durante os mandatos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), empréstimos concedidos pela instituição brasileira para obras em Cuba e na Venezuela chegaram a R$ 10,9 bilhões.

Os dois países, no entanto, estão sem pagar as prestações do contrato desde 2018.  A dívida de Cuba e da Venezuela com o BNDES alcançou, em 2021, R$ 3,5 bilhões. A quantia seria suficiente para construir mais de 850 hospitais no Brasil.

Segundo informações no site do BNDES, Cuba recebeu 656 milhões de dólares (R$ 3,4 bilhões) em desembolsos e mantém um saldo devedor de 447 milhões de dólares (R$ 2,3 bilhões). As prestações em atraso a ser indenizadas são 13 — não foram pagas nem mesmo depois de tentativas de acordo.

Fazem parte dos contratos de financiamento as obras de ampliação e modernização de Porto Mariel (divididos em cinco contratos); a construção de uma planta para a produção de soluções parenterais de grande volume e soluções para hemodiálise; e a modernização e ampliação do Aeroporto Internacional Jose Marti, em Havana.

Para a Venezuela, o desembolso foi de 1,506 bilhão de dólares (R$ 7,8 bilhões) e o saldo devedor é de 235 milhões de dólares (R$ 1,2 bilhão). As prestações em atraso a ser indenizadas pelo FGE (Fundo de Garantia à Exportação) chegam a 42, e as já indenizadas são 510.

 

Fonte: R7