Terça-feira - 15:23 - Deslizamento após chuva mata mulher em São Gonçalo; bombeiros buscam por três desaparecidos. Veja Abaixo
Uma mulher morreu e três pessoas de uma mesma família desapareceram em desabamentos após a forte chuva no fim da segunda-feira em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Uma das regiões mais atingidas foi o bairro Engenho Pequeno, onde equipes do Corpo de Bombeiros fazem as buscas pelas vítimas. Ruas ficaram alagadas e parte de um terreno onde tinha vegetação foi carregado pela água. No fim da manhã, a Prefeitura de São Gonçalo decretou situação de emergência na cidade.
Um dos deslizamentos foi na Rua Antônio Felix da Silva, no bairro. A vítima fatal foi Roseli de Castro, de 52 anos, que estava em casa quando parte de um morro veio abaixo. Ela morreu na hora.
Os bombeiros seguem nas buscas pelo casal Alan Santiago Cabral, de 45 anos, e Rosilene Pereira Santiago, de 34, e a filha Maitê Santiago, de 4, que estão desaparecidos desde que um barranco de lama derrubou a casa deles na madrugada desta terça-feira, também no bairro Engenho Pequeno. Às 12h30, o cachorro da família foi encontrado morto num local onde ficava próximo ao quarto do casal. Os bombeiros o retiraram enrolado em um lençol. Os parentes, que acompanham as buscas, se emocionaram e carregaram o corpo do animal. O gato da família foi resgatado com vida.
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A sobrinha de Alan, Eduarda Santiago Raposo, de 26 anos, contou que o barranco veio a baixo por volta das 20h depois que um raio atingiu o terreno que fica atrás das casas. Segundo Eduarda, essa é a primeira vez que algo nessa dimensão acontece no bairro. Nascida e criada em São Gonçalo, ela afirma que os moradores estão acostumados com as fortes chuvas do verão, mas que nunca viu alagamentos na região ou deslizamentos.
— Eu moro aqui desde os meus 5 anos de idade. A gente nunca imaginou que algo assim fosse acontecer. É sem explicação. Estamos muito triste, na esperança que eles sejam encontrados com vida. Estamos aqui acompanhando o trabalho dos bombeiros, torcendo para que eles sejam resgatados — desabafou Eduarda.
Segundo parentes das vítimas, o Corpo de Bombeiros começou a fazer os resgates por volta de 1h. Eles já estavam no bairro em atendimento a pessoas de uma outra casa que também desabou. Nesta ocorrência, não houve feridos.
— A Rosilene saiu cedo de casa ontem e foi na casa da mãe dela. Depois ela foi buscar a filha na escola. Ela e o meu tio fazem tudo juntos. Não dá para acreditar que algo assim aconteceu com eles. É muita aflição para a família. Estamos muito tristes — lamentou.

A mãe de Rosilene, Rosiane Pereira Gomes, de 51 anos, saiu do bairro Rocha para ter notícias da filha. Ela passou mal ao saber que a filha, o genro e a neta estavam soterrados nos escombros e teve que ser amparada por parentes e vizinhos. A demora, pela complexidade do resgate, tem angustiado a aposentada.
— Eu só quero minha filha de volta e com vida. Não consigo acreditar que isso aconteceu. Dói muito imaginar que ela está ali, perto de mim e eu não posso fazer nada — desabafou.
Rosilene tem pressão alta e precisou ser atendida pelos médicos dos bombeiros. Neste momento, ela aguarda informações do resgate na casa de vizinhos.
Segundo vizinhos, a família teria ido no mercado durante a chuva e voltado para casa. Alan teria atendido o telefone dizendo: "alô, quem está falando". Depois disso, eles não conseguiram mais contato.
Cerca de 30 bombeiros atuam na localidade no resgate às vítimas. A operação conta com bombeiros do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), dos quarteis de São Gonçalo e Itaboraí, e dos cães farejadores do 2º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente (2º GSFMA). Drones também foram acionados para apoiar os trabalhos. Do lado de fora do imóvel, vizinhos e parentes se revezam para tentar ajudar. As ruas cobertas de lama e pedaços de destroços mostram o drama vivido pelas famílias.
— Eu não pude pegar nada da minha casa. Ela foi interditada com tudo dentro. Estou aqui do lado de fora só com a roupa do corpo, com fome e can .
Robson dos Santos Luiz Júnior, de 23 anos, precisou sair às pressas com a esposa grávida de nove meses, Taimres Lohane Menezes, de 19. Por volta de 19h de segunda-feira, a casa deles começou a encher de água, que escorria do alto do morro.
— Já é a segunda vez que alaga aqui. Como desce muita água do morro, a nossa casa alaga tudo. Eu moro aqui há dois anos e ninguém veio dar assistência. Minha esposa passou mal, tivemos que sair correndo no escuro e fomos para casa da tia dela. Eu ainda não sei onde vamos dormir — lamentou.
Emergência no município
O prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, decretou situação de emergência no município no fim da manhã desta terça-feira. As chuvas atingiram a cidade na noite de segunda-feira, com índices pluviométricos de 200 mm, o que provocou deslizamentos de encostas e alagamentos e deixa desabrigados.
O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial nesta terça, autorizando a mobilização de todos os órgãos municipais para atuarem sob a organização da Defesa Civil. O objetivo, segundo o texto, é garantir rapidez nas ações de respostas necessárias.
Segundo a prefeitura, uma "força-tarefa foi criada para atuar na limpeza e remoção de lama, lixo e entulhos nos bairros, prestar assistência às vítimas e desabrigados e/ou desalojados". A situação de emergência terá duração inicial de 90 dias, podendo ser prorrogada.
Nesta manhã, a prefeitura divulgou, por meio de seu perfil oficial nas redes sociais, que não haverá aula nas escolas municipais que estão servindo como ponto de apoio ou sofreram as consequências das chuvas. As demais escolas funcionam normalmente.
Agentes da secretária de Sssistência Social do município estão passando nas casas e pedindo para que os moradores evacuem todas as residências das ruas Adelino Ferreira Brasil, onde ocorreu o deslizamento, e a Aldeia Barreto Couto, que fica ao lado. Eles afirmam que há uma previsão de temporal para as 15h. A informação ainda não foi confirmada oficialmente pela secretaria, no entanto, a mobilização já começou. Alguns moradores estão relutantes em sair de suas casas por medo de não terem como pegar seus pertences em caso de novos desmoronamentos de lama do morro que fica atrás destas ruas.
Fonte: Extra