Quarta-feira - 23:13 -Mãe de Letycia sonhou com a morte da filha e do neto dias antes do crime. Veja Abaixo

08 de março de 2023 · WM · Notícias em Geral

Segundo a delegada titular da 134ª DP, cinco pessoas envolvidas do assassinato foram presas

 

"Eu sonhei que tudo isso ia acontecer com a minha filha, Letycia. Dois dias antes, sonhei que ela tomaria um tiro na barriga e outro na cabeça. Ela agonizava no chão e me pedia ajuda. Parece que era Deus me preparando. Acordei sufocada, orando, e não contei a ela para não preocupá-la."

A fala é de Cintia Fonseca, a mãe que viu a filha e o neto morrerem, na última quinta-feira (02), um mês após a jovem completar 31 anos, na Rua Simeão Scheremeth, no Parque Aurora, em Campos.

 

Em entrevista ao jornal O Globo, a mãe de Letycia, que estava com ela no momento do crime e junto com o irmão dela e tio da vítima ajudou no socorro, contou que, no dia do crime, ela e a filha estavam envolvidas com a mudança de apartamento da jovem.

 

 

"Ela me buscaria às 18h. Fomos eu e minha tia Simone, que tem Síndrome de Down. Na volta, ao passar em frente à minha casa, vimos dois homens do outro lado da rua e falei para ela tomar cuidado. Eu estava com medo de assalto. Ela seguiu e parou em frente à casa da Simone. Desci, abri o portão e, quando voltei para ajudar minha tia, vi os mesmos caras vindo. Em nenhum momento olharam para mim e já fizeram os disparos contra ela. Como o vidro era transparente, eu vi toda a cena", contou a mãe.

 

Cíntia detalhou os momentos de terror. "No primeiro tiro, ela colocou a mão no rosto, e eu ouvi seu último grito. No segundo, ela colocou a mão na barriga — mesmo gesto da boneca que estava no bolo que fizemos para comemorar os 31 anos dela e a chegada do Hugo. E, então, o sangue começou a vazar. Parecia um jato d"água", lembrou.

A reação de Cíntia em defesa da filha foi instantânea. "Você vê alguém dando um tiro na cabeça da sua filha grávida e entra em desespero: corri para tentar segurar o atirador. Ele era mais alto do que eu, não consegui ter o apoio da arma, me virei e me joguei no chão; é quando ele atira em mim. Grito, grito, peço ajuda e meu tio aparece. Sentei no banco do carona, puxei a minha filha. Eu pressionava a cabeça dela e fazia respiração boca a boca, mas, quando puxava o ar, o que eu tirava era sangue", disse.

 

A mãe viu a morte da própria filha e lutou pela vida do neto. "Em frente ao hospital, eu já sabia que ela não estava mais viva. Ficou pálida. Eu só pedi para que salvassem o Hugo. Ao mesmo tempo que eu criei uma esperança, não conseguia ver o Hugo com a gente, mas não sei o porquê. Ele morreu no dia seguinte. No dia do enterro dos dois, vi meu neto pela última vez. Eu o peguei no colo, todo molinho, e ajeitei o corpo dele no caixão", contou.

Cíntia contou ainda que a filha não tinha inimigos e que, pela forma que aconteceu, ela identificou que teria envolvimento de pessoa conhecida, que sabia dos horários da filha.

 

A mãe contou ainda que a filha conheceu o pai do seu filho e suspeito de ser mandante da sua morte quando estudava no Instituto Federal Fluminense. Eles tiveram um relacionamento conturbado, com diversas interrupções e retornos e ele dizia estar em processo de separação, se es essou a participação no homicídio. Já na segunda-feira (6), o segundo envolvido no assassinato, também foi preso. O suspeito, conhecido como Pepé, foi encontrado escondido em um matagal, em Ururaí. Ele seria o autor dos disparos que atingiram Letycia.

A delegada adiantou que os detalhes da participação de cada um será esclarecido em coletiva de imprensa marcada para esta quarta (8). Natália disse, no entanto, que o caso não é considerado totalmente esclarecido, já que a Polícia Civil ainda trabalha na análise de dados coletados durante as diligências.

Relembre o crime

O crime aconteceu na noite da última quinta-feira (2), na Rua Simeão Scheremeth, no Parque Aurora. Letycia Peixoto Fonseca, de 31 anos, grávida de 8 meses, foi morta a tiros no momento em que chegava em casa, por volta das 21h. O bebê, que seria chamado Hugo, morreu no Hospital da Beneficência Portuguesa, na manhã de sexta-feira (3).

Letycia estava dentro de um carro da empresa onde trabalhava, quando foi surpreendida pelos suspeitos em uma motocicleta. Eles encostaram próximo ao veículo e efetuaram os disparos. Letycia sofreu 05 perfurações, sendo na mão esquerda, na face, no ombro e dois no tórax.

 

No momento em que os suspeitos fugiam, a mãe de Letycia, C.P.P.F., na tentativa de defender a filha e segurar um dos suspeitos que efetuou os disparos, ela foi empurrada ao chão e baleada. Ela foi socorrida para o Hospital Ferreira Machado, onde foi atendida.

Fonte: J3News