Segunda-feira - 21:59 - Jovem acusado três vezes por roubo após reconhecimento por foto é novamente inocentado. Veja Abaixo

02 de outubro de 2023 · WM · Notícias em Geral

Danilo Félix Vicente de Oliveira já ficou preso por 55 dias. Em abril deste ano, foi novamente apontado como autor de um crime que não cometeu

 

Danilo Félix Vicente de Oliveira, de 26 anos, foi inocentado em mais um processo, após ser indiciado por reconhecimento por foto em delegacia. Ele trabalha como auxiliar administrativo e já chegou a ficar preso por 55 dias, ao ser apontado como o autor de um roubo ocorrido em 2020. Em abril deste ano, ele foi indiciado novamente por outro crime, cometido no Ingá, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Na ocasião, um casal relatou ter sido roubado por três criminosos armados. Danilo e outros dois homens foram citados. No entanto, à Justiça, as vítimas — que tiveram celulares e uma aliança levados pelos bandidos — alegaram não conseguir identificar os autores do crime. A decisão foi da 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói.

 

Além de Danilo, Ronald Fonseca de Oliveira da Silva e Vinicius da Silva Farias, também apontados como suspeitos, foram absolvidos por falta de provas. Danilo recebeu a notícia da absolvição na noite da última sexta-feira, véspera de seu aniversário. Segundo ele, após seis meses de espera por uma decisão, pôde dormir tranquilo pela primeira vez.

 


— A gente foi para a audiência já achando que ia voltar com a resposta, mas isso não aconteceu. Saiu dois dias antes do meu aniversário, mas recebi a notícia um dia antes. Na primeira vez, cheguei a ser preso. Agora respondi em liberdade. Da mesma forma que me afetou, afetou minha família. Antes, íamos dormir preocupados. [A notícia] foi um presente de aniversário, mais leve. Desta vez, deu para curtir de verdade — contou, emocionado.

Ele, porém, revela o medo de ser preso injustamente de novo:

— Foram seis meses de espera pela absolvição. Na minha cabeça, passaram medo e insegurança. Tinha medo foi de ficar de novo longe da minha família. Pensei nisso quando aconteceu tudo de novo, de mais uma vez passar por uma covardia. Da última vez, fui abordado na rua sem saber de nada.

'Pressão no momento do reconhecimento'

 

À Justiça, uma das vítimas alegou ter sido pressionada no momento do reconhecimento dos autores do crime. Segundo ela, porém, afirmou ser “impossível descrever, diante do lapso temporal, as características dos autores do fato, mas que lembrava que um deles era alto e magro, que o outro possuía altura média e que todos possuíam pele escura, que era impossível informar se eles possuíam características peculiares”.

Ela disse, ainda, que “não se recordava de quantas fotos teria visto em delegacia, mas que não foram muitas” e que havia "uma pressão muito grande no momento em que realizou o reconhecimento”.

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Golpes continuam sendo aplicados em Itaperuna. Veja abaixo:


 

 

 

 


Em abril deste ano, pouco antes da primeira audiência de instrução e julgamento do caso, o advogado Djeff Amadeus, que defende o auxiliar administrativo, afirmou que o fato de o jovem já ter sido inocentado em outros dois casos semelhantes, pode ajudá-lo a provar sua inocência nesse último processo.

— É fundamental ele já ter sido inocentado nos outros dois casos. Às vítimas perceberam o erro ao vê-lo presencialmente. Todos os três casos ocorreram em julho de 2020. A mesma fotografia do Danilo foi usada pela 76ª DP (Niterói) nas três investigações. Queremos saber como a foto dele foi inserida no álbum da delegacia, já que, até ser preso, em 2020, ele não tinha nenhuma passagem pela polícia — questionou o advogado.

Danilo Félix tenta provar na justiça sua inocência em audiência de instrução e julgamento, em Niterói — Foto: Reprodução

Danilo Félix tenta provar na justiça sua inocência em audiência de instrução e julgamento, em Niterói — Foto: Reprodução

Alerj aprova projeto de lei

 

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, por unanimidade, um projeto de lei que impede a prisão apenas pelo reconhecimento facial. Com isso, seriam necessárias outras provas, confirmações e investigações. A proposta foi dos deputados Carlos Minc (PSB) e Luiz Paulo (PSD). O projeto, votado em setembro, aguarda ser sancionado pelo governador Cláudio Castro.

— Danilo, finalmente inocentado, foi um herói. Ele transformou a sua dor e sofrimento em brado pela justiça. Seu depoimento emocionante foi essencial na audiência pública para aprovarmos por unanimidade o projeto no plenário. Projeto esse que combate o racismo estrutural e a preguiça investigativa — afirmou Minc.

Relembre

 

Negro, morador de uma comunidade pobre de Niterói, Danilo foi preso no dia 6 de agosto de 2020 por conta de um mandado de prisão expedido pela Justiça. No primeiro inquérito, ele foi reconhecido por foto como sendo autor de um roubo de uma motocicleta, celular e dinheiro. O crime aconteceu em 2 de julho de 2020, em Niterói. Em audiência na 1ª Vara Criminal de Niterói, a vítima voltou atrás do reconhecimento, e ele foi absolvido.

A segunda e a terceira acusação também são frutos de inquéritos da 76ª DP, sendo que em um deles, Danilo também já foi inocentado. Os três casos correram em julho de 2020. Após passar 55 dias preso, o auxiliar administrativo saiu da cadeia, após ser absolvido da acusação que o mantinha preso, em setembro daquele mesmo ano.

Fonte: G1