Quinta-feira - 12:18 - Vídeo: PM agride e deixa idosa sangrando em São Paulo. Veja Abaixo
Uma idosa de 63 anos foi agredida por um policial militar na noite desta quarta-feira, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Identificada como Lenilda Messias, a mulher ficou com o rosto ensanguentado após a abordagem dos agentes em sua casa, no Jardim Regina Alice. A ação foi registrada em vídeo por testemunhas. Nos últimos dias, a corporação tem sido alvo de críticas devido à divulgação de episódios de violência policial, como o homem arremessado de uma ponte por um PM e a morte a tiros de um estudante de medicina.
Testemunhas relataram que a confusão começou quando os policiais tentaram apreender uma moto que seria do neto de Lenilda, Matheus Lima, filho do empresário Juarez Higino Lima Júnior. O empresário acabou preso, conforme mostram as imagens.Lenilda, por sua vez, teria tentado interceder pois o veículo estava na garagem da casa da família. No vídeo, Lenilda grita diversas vezes: "Como a Justiça pode fazer isso? Vocês são autoridades". Com truculência, um dos PMs empurra a idosa por pelo menos seis vezes e a chuta.
— Eles vieram querendo arrancar a moto da garagem e pediram apoio. Quando chegou o apoio, eles entraram arrebentando o portão e batendo em todo mundo que estava lá — disse Bianca de Lara, ex-mulher de Juarez, ao jornal Folha de São Paulo.
Segundo ela, o policial que agrediu Lenilda tem aparência de "praticamente um menino" e não parava de bater. Nas imagens, é possível ver que um policial mais velho intercede e impede a continuidade das agressões. "Minha família. Eu quero Justiça e vou até o fim", escreveu Bianca, em sua rede social.
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— Agrediram sem motivo algum. Foi abuso de poder. Foi isso o que aconteceu", acrescentou Bianca. "A intenção era machucar. E machucou — finalizou.
No vídeo, familiares e vizinhos gritam, choram e dizem que a PM invadiu a casa. Há, inclusive, choro de crianças na cena de violência. Outras pessoas, além de Juarez e da mãe dele, aparecem machucadas. A idosa agredida sofreu um ferimento no rosto e foi levada a uma unidade de saúde.
Procurada pelo GLOBO, a Polícia Militar de São Paulo disse que "não compactua com desvios de conduta e assegura que qualquer ocorrência envolvendo excessos será investigada e os agentes devidamente punidos".
Já a Polícia Civil "analisa as imagens da ocorrência e investiga todas as circunstâncias dos fatos". O caso também foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Militar.
Escalada da violência policial em SP
Gravada em uma câmera de celular, a cena de um homem jogado de cima de uma ponte em um córrego na Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo, é mais um episódio a pôr em xeque o preparo dos policiais militares e a política de segurança pública do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a cargo do secretário Guilherme Derrite. Tarcísio, assim como Derrite, criticou na terça-feira publicamente a agressão, e a morte de um ladrão de uma pequena loja por tiros nas costas dados por um PM de folga no dia 3 de novembro. Mas na manhã seguinte, nesta quarta-feira, um outro caso de violência policial tornou-se público. Desta vez, imagens mostram um motociclista já rendido, no chão, sendo agredido por agentes no bairro de Jardim Damasceno, na zona norte da capital paulista.
O caso que provocou maior repercussão ocorreu na madrugada de segunda-feira, quando testemunhas gravaram vídeo que mostra três PMs em uma ponte. Um deles encosta uma moto na mureta após uma abordagem, e outro segura pelas costas um homem com camiseta azul. De repente, o PM levanta o rapaz pelas pernas e o joga no córrego.
A Secretaria de Segurança Pública afastou 13 PMs envolvidos na ação, que estariam dispersando um baile funk nas proximidades. O Jornal Nacional informou na noite de terça-feira que a vítima é um entregador chamado Marcelo, que feriu o rosto na queda e foi levado para o hospital depois de ser socorrido por moradores de rua que estavam embaixo da ponte.
— Eu gostaria de uma explicação desse policial aí e o porquê ele fez isso — disse ao telejornal da TV Globo o pai de Marcelo, o mecânico Antônio Donizete do Amaral.
Pela manhã, nas redes sociais, Tarcísio afirmou que “aquele que atira pelas costas, aquele que chega ao absurdo de jogar uma pessoa de uma ponte, evidentemente não está à altura de usar essa farda”. Secretário de Segurança Pública, Derrite divulgou um vídeo dizendo que a ação na ponte “não encontra respaldo nos procedimentos operacionais” e “ações isoladas não podem denegrir a imagem” da PM.
O governador convocou na tarde de terça-feira uma reunião de emergência com o comandante-geral da corporação, Cássio Araújo de Freitas, o subcomandante-geral, coronel José Augusto Coutinho, e o corregedor-geral, Silvio Hiroshi Oyama. O encontro seria para corrigir rumos e punir excessos da PM.
A publicação do governador na manhã de terça-feira também se refere à morte de Gabriel Renan da Silva Soares, no dia 3 de novembro, atingido com 11 tiros nas costas ao tentar furtar pacotes de sabão em um mercado da Zona Sul da capital paulista. Vídeos divulgados esta semana contrariam a versão do policial Vinicius Lima Britto, autor dos disparos, de que ele atirou em legítima defesa, registrada no boletim de ocorrência da Polícia Civil. O agente, que estava de folga quando atirou em Renan, foi afastado e será investigado pela Corregedoria.
Os dois casos repercutiram ao mesmo tempo em que terça-feira uma perícia confirmou o que a Polícia Militar já havia antecipado como provável: partiu da arma de um policial a bala que matou o menino Ryan de Silva Andrade, de 4 anos, no morro de São Bento, em Santos, no dia 5 de novembro, em uma incursão onde também foi morto um adolescente.
Fonte: O Globo