Quinta-feira - 19:56 - Pesquisa aponta o canabigerol como alternativa promissora contra dor. Veja Abaixo

10 de julho de 2025 · WM · Notícias em Geral

Pesquisas em animais mostram que o CBG, tem efeito contra dores sem afetar a atividade locomotora

*O artigo foi escrito por Guilherme Carneiro Montes, professor adjunto do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes (IBRAG) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e por Bismarck Rezende, doutorando em Fisiopatologia Clínica e Experimental, também na UERJ. O texto foi publicado na plataforma The Conversation Brasil.

A dor é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de tratar. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a dor crônica afeta cerca de 30% da população do planeta. Apesar dos avanços da medicina, muitas pessoas ainda aguardam por medicamentos mais eficazes para dores persistentes — que sejam específicos, seguros e livres dos riscos de dependência e efeitos colaterais associados aos opioides tradicionais.




Nosso grupo de pesquisa, do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes (IBRAG), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), estuda o potencial do canabigerol (CBG), um composto não psicoativo presente na planta Cannabis sativa. Em um artigo científico, publicado recentemente, mostramos que essa substância tem efeitos promissores contra diferentes tipos de dor em roedores.

Um canabinoide ainda pouco explorado


Nos últimos anos, a Cannabis sativa voltou ao centro das atenções da ciência médica. A planta contém centenas de compostos bioativos, entre eles os fitocanabinoides — substâncias que interagem com o sistema endocanabinoide do nosso organismo, regulando funções como dor, sono, apetite e inflamação. Os mais conhecidos são o tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelos efeitos psicoativos da maconha, e o canabidiol (CBD), que ganhou fama por seu amplo potencial terapêutico.

Menos conhecido, porém promissor, é o canabigerol (CBG). Considerado o “precursor químico” dos demais canabinoides, o CBG não provoca alterações de consciência ou sensação de “barato”. Estudos recentes têm mostrado que apresenta propriedades anti-inflamatórias e indicavam que pode ter efeito analgésico, mas seus efeitos no tratamento da dor ainda eram pouco investigados.

Dor aguda e crônica: desafios distintos


Para preencher essa lacuna, desenvolvemos um estudo experimental com roedores mais sensíveis à dor devido à falta de oxigênio durante a gestação ou nascimento. Essa condição, chamada de hipóxia-isquemia pré-natal, pode aumentar a sensibilidade à dor ao longo da vida, gerando um grande desafio no manejo seguro de analgésicos.

Nós testamos três modelos de dor nesses animais e, em todos eles, avaliamos o efeito da administração oral de CBG, na concentração de 50 mg por quilo de peso corporal.

Os resultados foram animadores. No teste da placa quente, colocamos os camundongos sobre uma superfície aquecida a 52°C. Esse tipo de dor é processada pelo Sistema Nervoso Central, ou seja, não é apenas um reflexo periférico.

Fonte: Metrópoles