Domingo - 10:40 - Investigações revelam conexões do crime organizado com emendas parlamentares. Veja Abaixo

31 de agosto de 2025 · Cassiane Lessa · Notícias em Geral

A megaoperação da Polícia Federal contra o PCC revelou que a facção criminosa tem tentáculos no mercado financeiro e no comércio de combustíveis. As investigações sobre emendas parlamentares também escancararam conexões entre o crime organizado e a política.

No Ceará, um caso trouxe o PCC à tona neste ano. Mas é o Comando Vermelho quem mais apareceu até agora nas apurações, segundo um policial envolvido. O modo de atuação das facções é conhecido: ocupam territórios, impõem a candidatos e moradores sua influência eleitoral e, em troca, recebem retribuição política. Parte das emendas parlamentares vai parar
em regiões sob controle do crime, irrigando licitações fraudulentas promovidas por prefeituras.

Empresas ligadas a laranjas de facções participam de concorrências fajutas e abocanham contratos que serão pagos, no fim das contas, com a verba das emendas.

O trânsito de delegados entre diretorias da PF especializadas em corrupção e tráfico de drogas ajudou a conectar as duas pontas: emendas e crime organizado.

Um caso exemplo é o do deputado Junior Mano (PL, hoje PSB), vice-campeão de votos no Ceará em 2022. Ele é alvo da Operação Underhand,deflagrada em julho pela PF, suspeitode ter articulado um esquema dedesvio de emendas para influenciareleições em 51 cidades cearenses. EmCanindé, um candidato apoiado porMano tinha como chefe de campanhaum traficante dos Guardiões doEstado — grupo dissidente do PCCque se tornou braço armado da facçãopaulista no Nordeste.

A Underhand tramita no SupremoTribunal Federal (STF), sob relatoriade Gilmar Mendes. Segundo fontes da PF, há mais de 100 inquéritos em curso na Corte sobre emendas. Oito dos onze ministros são relatores desses casos, embora as broncas do Congresso se concentrem em Flavio Dino, que tem buscado aplicar o julgamento de 2022 que extinguiu o “orçamento secreto” e
ainda conduzação que pode acabar com o caráterimpositivo das emendas.

O caso mais avançado envolve trêsdeputados do PL — Josimar doMaranhãozinho, Pastor Gil e BoscoCosta. Réus na Ação Penal 2670, elas foram interrogados em 28 de agosto, passo que indica proximidade dejulgamento, relatado por Cristiano Zanin.

A enxurrada de inquéritos no STF é aprincipal motivação do movimentono Congresso para alterar foro e ritode julgamento de parlamentares ,esvaziando o poder da Corte.

“Eu não gosto desses nomes PEC daimpunidade ou da bandidagem, mas nesse caso é”, afirma o criminalista Bruno Salles Ribeiro. “É um mecanismo para blindar parlamentares, impedir que agências de investigação apurem o mau uso de verbas e crimes cometidos por políticos.”

Fonte: CartaCapital.