Sexta-feira - 00:17 - Saiba quem é o baleado alvo da invasão armada no Hospital Pedro II. Veja Abaixo

19 de setembro de 2025 · AM · Notícias em Geral

O paciente que se tornou alvo de uma ação criminosa dentro do Hospital municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, na madrugada desta quinta-feira, foi identificado como Lucas Fernandes de Sousa, de 31 anos. Morador de Paciência, ele é ex-praça do Exército Brasileiro e chegou a ser preso por integrar a milícia que atuava na região, sendo denunciado por extorquir a comerciantes e moradores da região. Segundo investigação, ele era responsável pelo recolhimento de valores como parte de um esquema que cobrava “taxas de segurança”. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Lucas está em liberdade condicional atualmente.

De acordo com uma denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), Lucas e outro acusado foram flagrados, no dia 19 de julho de 2019, por policiais civis, extorquindo comerciantes e moradores na Rua Graça e Paz, em Paciência, e bairros vizinhos. O esquema de cobrança de dinheiro exigia pagamentos sob a justificativa de “taxa de segurança” e praticava também extorsões conhecidas como “arrego” e exploração de serviços irregulares de TV a cabo, a “gatonet”, transporte irregular e outras atividades ilícitas.

Em 2019, policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) prenderam Lucas Fernandes de Sousa e outro suspeito, flagrados entrando em comércios para recolher pequenas quantias, entre eles o Bar do Botafogo e o Bar do Vasco, na localidade conhecida como Monte Sinai. Durante a abordagem, foram apreendidos R$ 1.102,02 em espécie, e, segundo os policiais, Lucas sempre guardava consigo os valores arrecadados, como parte da rotina de operação do grupo.

A investigação aponta que a milícia à qual Lucas pertencia era um grupo estável, estruturado e com divisão informal de tarefas, que expandia seu controle territorial por meio de violência armada, ameaças e intimidação. O grupo empregava armas de fogo, inclusive de grosso calibre, e buscava cooptar agentes públicos para manter seu poder. Além das extorsões, os membros exploravam uma série de atividades criminosas e contravencionais, incluindo jogos de azar, transporte público irregular, fornecimento clandestino de TV a cabo, usura e outros negócios ilícitos, sempre para obter vantagem econômica de forma ilícita.

Em primeira instância, Lucas Fernandes de Sousa foi condenado a 12 anos e 10 meses de reclusão, a serem cumpridos na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.

No entanto, de acordo com o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), após recurso da defesa à segunda instância, a 5ª Câmara Criminal reduziu a pena dos condenados e determinou o cumprimento em regime semiaberto.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que Lucas Fernandes de Sousa deixou o Complexo de Gericinó, em 2021, para cumprir pena em regime de Prisão Albergue Domiciliar. Desde o dia 13/09/2021, Lucas estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica, que foi retirada em 20/07/2022, em razão da liberdade condicional.

Além do histórico militar, Lucas Fernandes de Sousa também tem uma empresa ativa em seu nome. A LF Fernandes Comercial Ltda, registrada em 2024, tem capital social de R$ 100 mil e está localizada em Paciência, bairro onde ele mora. A microempresa declara como atividade principal os serviços combinados para apoio a edifícios e reúne ainda atividades secundárias, que vão desde fabricação de móveis e artigos de serralheria até construção civil, manutenção elétrica, pintura de edifícios, comércio de vidros e até imunização e controle de pragas urbanas.



Na quarta-feira, às 13h10, Lucas Fernandes de Sousa deu entrada no Hospital Municipal Pedro II com quatro perfurações na região do abdômen após ser baleado e sofrer outras lesões de raspão em uma tentativa de homicídio.

Segundo o secretário de Segurança do Rio, Victor Santos, um policial militar de plantão comunicou o caso ao 27º BPM e solicitou reforço na unidade. Conforme o comandante da PM, coronel Marcelo de Menezes, a Polícia Militar também acionou a Polícia Civil sobre a entrada do homem ferido.

O secretário da Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, informou, durante a coletiva de imprensa, que a corporação constatou que o paciente tinha passagem pela polícia e chegou a ser preso em 2019 por extorsão. Ainda durante a coletiva de imprensa, o coronel Menezes, da PM, explicou que não foi possível colher o depoimento de Lucas, já que ele estava “sem condições de prestar qualquer tipo de esclarecimento” e precisou ser encaminhado ao centro cirúrgico.

Durante a madrugada, por volta das 2h40, oito homens encapuzados e armados com fuzis e pistolas, ligados à milícia, invadiram o hospital em busca do paciente. Eles renderam os seguranças e seguiram até o centro cirúrgico, acreditando que ele ainda estivesse em operação. No entanto, Lucas já havia sido transferido para a enfermaria.

— Existe um policial militar em cada unidade hospitalar do estado e do município exatamente para isso. Foi esse policial militar de plantão do Hospital Pedro II quem acionou a sala de operações do 27º Batalhão e propiciou que a equipe viesse reforçar a segurança — disse o secretário de Segurança, Victor Santos, durante coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira.

Até o momento, a Polícia Militar não esclareceu se uma equipe do 27ª batalhão chegou a permanecer no Pedro II entre a entrada do paciente, às 13h10 de quarta-feira, e a invasão, às 2h40 da quinta — um intervalo de cerca de 13 horas e meia. Já a Polícia Civil, em nota, afirmou que o paciente estava sem condições de prestar depoimento e que os agentes aguardam a alta médica para iniciar essa etapa da investigação.

A ação criminosa interrompeu o funcionamento da unidade e provocou momentos de pânico entre médicos, pacientes e funcionários. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, classificou o episódio como “uma situação que mostra total falência da política de segurança no Estado do Rio de Janeiro”.

Policiais da 36ª DP (Santa Cruz) informaram que trabalham para identificar os homens armados que invadiram o Hospital Pedro II, na madrugada desta quinta-feira, na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, o grupo — aparentemente ligado a uma milícia — entrou na unidade pela garagem. Os criminosos chegaram a seguir até o centro cirúrgico em busca de um paciente que já havia sofrido uma tentativa de homicídio, mas ele havia sido transferido para a enfermaria e não foi localizado.

Fonte: Extra