Domingo - 18:07 - O violência psicológica e emocional forma cruel e silenciosa de violência. Veja Abaixo

26 de outubro de 2025 · Cassiane Lessa · Notícias em Geral

“Ela acreditou no amor. Ele acreditou na posse.”
O “amor” que mata: quando o lar vira o lugar da dor.

Ela construiu uma família. Acreditou no amor, na união, na promessa de uma vida compartilhada. Mas o mundo desabou quando percebeu que adoecer era menos doloroso do que continuar vendo as traições, os maus-tratos e o descaso.

Num olhar tardio, o abandono e a falta de acolhimento transformaram o que antes era um lar em um campo de dor. E quando a morte finalmente chegou, trouxe não apenas descanso — trouxe também a verdade. As máscaras caíram.

Aquele que prometeu amar e cuidar foi, no fim, quem destruiu. Décadas de convivência, juras e promessas, e o desfecho cruel: a amante passou a morar na casa que um dia foi dela. A mesma casa que seus pais construíram com o sonho de ver florescer uma família.

Não é apenas a história de Lilianes, mulheres que perderam a vida tentando sustentar o que chamavam de lar. É também a das Sônias, das Marias, e dos homens que transformam o amor em posse, o cuidado em controle, o casamento em cárcere.

É o assédio disfarçado de preocupação. As câmeras instaladas para vigiar. O silêncio cúmplice que permite que a maldade apague vidas de mulheres íntegras, uma a uma, enquanto a sociedade segue fingindo não ver.

No fim, não é o término de uma vida.
É o modo como ele — o homem que jurou amar — fez com que o fim dela fosse de dor, e não de amor; de desrespeito, e não de lealdade.

É o direito de cada mulher de se amar antes de amar o outro.
De entender que amor não é submissão, que cuidado não é controle, e que nenhuma mulher deve morrer por tentar manter de pé o que o outro insiste em destruir.

O feminicídio ainda é uma das formas mais cruéis e silenciosas de violência. Todos os dias, mulheres são mortas por aqueles que juraram amá-las.
O amor não mata. O controle mata,o ciúme mata ,a omissão mata.

Se você sofre ou conhece alguém que sofre violência doméstica, denuncie.
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher.
A denúncia é anônima e pode salvar uma vida.

Por todas as que amaram demais e foram silenciadas.
Por todas as que ainda lutam para sobreviver ao amor que mata.

Por Nathália Schwartz