Terça-feira - 22:11 - Itaperuna e o voto da traição: rejeição das contas de Alfredão expõe feridas políticas e a ingratidão de antigos aliados. Por Nathália Schwartz. Veja Abaixo
A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (11) ficará marcada como um divisor de águas na política itaperunense. Em votação por 9 votos a 4, os vereadores decidiram rejeitar as contas do ex-prefeito Alfredo Marques, o Alfredão, seguindo o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Mas o resultado foi muito mais do que uma decisão técnica: foi um espetáculo de traição política, conveniência e ingratidão, que escancarou o quanto o poder ainda fala mais alto que a lealdade.
Entre os 13 vereadores presentes, a maioria era base fiel do ex-prefeito, nomes que cresceram politicamente durante sua gestão e receberam dele autonomia, estrutura e confiança. Mesmo assim, viraram as costas no momento em que Alfredão mais precisava.
A votação teve um ponto que repercutiu de forma especial entre os presentes e nas redes sociais: a posição da vereadora Sargenta Cristiane, que até pouco tempo atrás era líder do governo Alfredão na Câmara.
Foi ela quem defendeu projetos, articulou votações e sustentou o governo nas horas mais difíceis.
Hoje, porém, seu voto contrário foi visto como o símbolo máximo da traição política.
Para muitos, Cristiane selou seu nome como exemplo de ingratidão, rompendo com aquele que lhe deu espaço e visibilidade política. “A história não se apaga, e o tempo cobrará”, afirmou um dos apoiadores de Alfredão logo após a sessão, refletindo o sentimento de grande parte dos presentes.
Por outro lado, as vozes da lealdade resistiram.
A vereadora Elia Cruz emocionou ao falar sobre coerência e gratidão — qualidades cada vez mais raras na política local.
Vivi Dentista, com firmeza e equilíbrio, reforçou o legado de obras e ações deixadas por Alfredão.
E Eduardo do Toldo destacou que rejeitar as contas não apaga a história de quem construiu um caminho sólido de avanços para a cidade.
A votação, contudo, levanta uma questão inevitável: quando chegar a vez do atual prefeito Emanuel Medeiros, também avaliado pelo mesmo grupo político, como reagirão esses mesmos vereadores?
Se o passado se repetir, a traição poderá mudar apenas de alvo, mas não de natureza.
A inelegibilidade de Alfredão pode ser o efeito jurídico de uma decisão política, mas o reconhecimento popular sobre o que ele fez por Itaperuna continuará vivo.
O povo vê, ouve e julga — e na política, o tempo sempre cobra o preço da ingratidão.
“O voto que condena hoje pode ser o mesmo que destrói a credibilidade de quem o profere amanhã.”
Por Nathália Schwartz