Quarta-feira - 16:45 - Do Isolamento ao Descarte: o Ciclo Silencioso que Adoece o Comércio. Veja Abaixo

12 de novembro de 2025 · AM · Notícias em Geral

A alta rotatividade, antes vista como simples ajuste de equipe, tornou-se sintoma de um problema mais profundo: a substituição constante de trabalhadores experientes por novos, inexperientes e mais baratos, em um processo marcado pelo silêncio e pela falta de diálogo.

Em muitas empresas e comércios, o ciclo se repete com precisão cruel.
Primeiro, o isolamento: funções são retiradas, a comunicação diminui e o profissional começa a ser deixado de lado.
Depois, surgem as fofocas de corredor, o desgaste emocional e, por fim, o desligamento.
Tudo isso sem explicações claras apenas a sensação de que “já não serve mais”.

O fenômeno conhecido como violência corporativa silenciosa: práticas sutis de exclusão e desvalorização que antecedem a demissão e causam impacto direto na saúde mental dos trabalhadores.
“É uma forma de assédio psicológico institucionalizado,o funcionário é empurrado para fora sem que ninguém precise dizer nada”, explica a psicóloga Luciana Moreira.

Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais ligados ao trabalho já estão entre as principais causas de afastamento no país.
Estudos indicam que um em cada cinco brasileiros sofre sintomas de ansiedade no ambiente profissional reflexo de uma cultura corporativa que normalizou o medo, a insegurança e o descarte.

No comércio, onde a competição é alta e as margens de lucro são estreitas, a pressa em “renovar equipes” vem custando caro.
A rotatividade constante corrói a confiança, destrói o espírito de equipe e compromete o desempenho coletivo.
“Empresas que trocam pessoas como se trocassem peças perdem credibilidade tanto internamente quanto diante dos clientes”.

O resultado é um ambiente contaminado pela ansiedade e pela desconfiança, os que ficam trabalham com medo de ser os próximos.
E o medo, quando substitui a liderança, mata qualquer forma de motivação.

Porque no fim, o que adoece o trabalhador não é apenas a demissão é o silêncio de quem deveria ouvi-lo.

 

Por Nathália Schwartz