Segunda-feira - 21:20 - Diretora assassinada no Cefet cogitou pedir exoneração do cargo, diz irmã. Veja Abaixo

01 de dezembro de 2025 · WM · Notícias em Geral

Allane Pedrotti, de 41 anos, que fazia parte da equipe pedagógica, sofria constantes ameaças de João Antônio Miranda Tello Ramos e trabalhava em ambiente hostil

- Três dias depois do assassinato de Allane de Souza Pedrotti Matos nas dependências do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, na Zona Norte, na última sexta-feira (28), a família da diretora da equipe pedagógica da unidade de ensino lida com a dor da perda e a indignação pelo ataque.

Em entrevista , Alline Pedrotti, irmã de Allane, revelou que têm sido dias difíceis desde que tudo aconteceu. “Assim que eu soube do acontecido, eu fui para o hospital, porque passei mal. Desde então, eu estou medicada”, contou ela, que mora em Florianópolis (SC) e viajou para o Rio depois da morte de Allane.

Após outro funcionário do Cefet, identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos, entrar armado na instituição, matar Allane e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, e tirar a própria vida em seguida, para Alline, a tristeza se funde à revolta.

“É uma tristeza absoluta. Porque a minha irmã era muito minha amiga. A gente era muito amiga. Ela não era só minha irmã, ela era minha minha amiga. O outro sentimento que fica, evidentemente, é de raiva, indignação e de querer ir atrás de respostas. É o que eu já estou fazendo. É o que eu vou fazer. Não tenho data para voltar para Florianópolis. Eu vou ficar aqui até conseguir todas essas respostas”, afirmou.

“Como que esse cara entrou numa instituição educacional? Como ele entrou armado? Qual é a responsabilidade do Cefet nisso? E quais foram os processos administrativos e médicos que liberaram esse covarde a voltar a trabalhar? Quem assinou esse laudo? Por qual processo terapêutico esse crápula passou? Quem acompanhou? Eu pretendo ir à Delegacia de Homicídios, já estou tentando marcar uma reunião com a diretoria do Cefet. E estou buscando apoio jurídico também. Porque isso tudo precisa ser respondido para que isso não aconteça de novo e pela honra da minha irmã, pela memória da minha irmã”, acrescentou.

'Era pesaroso para ela ir trabalhar'

A principal suspeita para a motivação do crime é de que ele teria sérios problemas com as colegas de trabalho por não tolerar o fato de ser chefiado por mulheres. Segundo Alline, pelo menos desde o ano passado, não só Allane, como também outras funcionárias, já se sentiam ameaçadas por João Antônio.
“Várias colegas do trabalho da minha irmã tinham medo dele. O que eu sei é que algumas mulheres foram embora para casa quando souberam que ele estava lá. Ano passado, quando eu estive na casa da minha irmã, ela desabafou comigo sobre isso, sobre essa situação. Ela estava deprimida, muito triste, se sentindo ameaçada, com medo. Ela falava que ele era doido e que tinha muito medo dele”, contou.
Fonte: O Dia