Domingo - 14:26 - Funcionários terceirizados da Enel são flagrados fazendo dancinha na Av. Paulista em meio à crise de energia em SP. Veja Abaixo

14 de dezembro de 2025 · Cassiane Lessa · Notícias em Geral

Em meio à crise de abastecimento de energia que a Grande São Paulo enfrenta desde quarta-feira (10), técnicos de uma empresa terceirizada da concessionária Enel foram flagrados na última sexta-feira (12) dançando em plena a Avenida Paulista, no Centro de São Paulo (veja acima).

O flagrante foi registrado na manhã de sexta-feira, em frente ao Masp e ao Parque Trianon, por pedestres que passavam no local. Eles viram três rapazes com o uniforme escrito “a serviço da Enel” gravando um vídeo de fim de ano para a empresa STN, terceirizada da companhia de energia.

Ao fundo, é possível ouvir uma música com os dizeres: “segurança é nossa missão, dedicação sem fim, sem razão. Trazendo aos clientes um presente para as famílias, vida decente”.

Após as imagens ganharem as redes sociais, a STN veio a público “lamentar o ocorrido” fora de hora, onde mais de 2,2 milhões de pessoas chegaram a enfrentar a falta de energia na região de concessão da Enel nesta semana.

A STN reconheceu a "inadequação do contexto diante da situação enfrentada na cidade de São Paulo" e afirmou que providências foram tomadas pela empresa.

“As imagens foram gravadas no contexto de uma captação de conteúdo interno de fim de ano da STN, por fornecedor contratado, e não envolvia profissionais que atuavam em atividades operacionais da Enel”, disse a terceirizada.



“A STN tomou conhecimento do material apenas após sua circulação nas redes sociais e lamenta o ocorrido. A companhia reconhece a inadequação do contexto diante da situação enfrentada na cidade de São Paulo. As devidas providências já estão sendo adotadas internamente”, afirmou.

 

A Enel foi procurada pela reportagem do g1 e disse que a "acionou a empresa STN para que sejam adotadas as medidas cabíveis."

A crise de energia na Grande SP chegou ao 5° dia neste domingo (14). Segundo o balanço divulgado pela Enel, até as 6h49, cerca de 176 mil endereços na região de concessão da empresa ainda estavam sem energia elétrica.

A decisão também prevê multa de R$ 200 mil por hora em caso de descumprimento.

A medida judicial passa a valer após a empresa ser comunicada da decisão. Procurada, a Enel SP informou que ainda não foi intimada da decisão e "segue trabalhando de maneira ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia ao restante da população que foi afetada pelo evento climático".

A decisão determina a religação em até quatro horas para as seguintes situações e locais:

  • Unidades hospitalares e serviços de saúde;
  • Eletrodependentes cadastrados junto à concessionária, cuja vida depende do fornecimento contínuo;
  • Instituições públicas essenciais, como delegacias, presídios e equipamentos de segurança;
  • Creches, escolas e espaços coletivos, especialmente em razão da realização de vestibulares e provas;
  • Sistemas de abastecimento de água e saneamento, como instalações da Sabesp e condomínios com bombas elétricas;
  • Locais que concentram pessoas vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência.
 
Para todas as demais unidades consumidoras não listadas na relação acima, o religamento da energia tem que acontecer no prazo máximo de 12 horas a contar da notificação da Enel.
 

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Defensoria Pública do Estado tinham ingressado na sexta com essa ação contra a Enel por causa do apagão após o vendaval.

Relatório de interrupções

 

Na ação, o MP e a Defensoria também pediram que a concessionária apresente um relatório detalhado sobre as interrupções, incluindo a lista de unidades afetadas.

Segundo a petição, divulgada pelo Núcleo Especializado de Defesa do Consumidor (Nudecon), o serviço prestado pela concessionária apresenta falhas recorrentes há anos e não atende aos deveres de adequação, eficiência e continuidade.

Os órgãos afirmam que, além da interrupção prolongada, a Enel falhou na prestação de informações claras sobre a previsão de restabelecimento.

A ação destaca ainda que chuva e ventos não podem ser tratados como fatores "extraordinários" ou "imprevisíveis" a ponto de afastar responsabilidade, e que a empresa deve ter estrutura para prevenir e mitigar danos, especialmente em períodos do ano em que esse tipo de evento é comum.

A coordenadora do Nudecon, defensora pública Estela Waksberg Guerrini, reforça a importância de reunir provas sobre possíveis danos causados pela falta de energia.

Orientação prática: guardar provas, como documentos e fotos dos danos causados pelo tempo em que o consumidor ficou sem energia. Guardar nota fiscal de compras para pedir indenização por dano material.
— Estela Waksberg Guerrini, defensora pública

Ela também recomenda que situações específicas — como dificuldades de mobilidade agravadas pela falta de elevador — devem ser documentadas.

Entre os dias 10 e 12, o Procon-SP registrou 534 reclamações contra a Enel, sendo 371 relacionadas a problemas causados pelo vendaval que atingiu o estado.

Histórico de ações

 

Esta não é a primeira vez que a Enel é acionada judicialmente pelos órgãos de defesa do consumidor. Em dezembro de 2023, Defensoria e MP ingressaram com outra ação civil pública após entenderem que houve prestação inadequada e descontinuada do serviço durante a interrupção de energia registrada em novembro daquele ano.

A ação pediu indenização por danos materiais tanto para consumidores afetados naquele episódio quanto em futuros eventos climáticos, evitando que cada pessoa precisasse acionar a Justiça individualmente.

O processo, porém, está suspenso após decisão da Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que aguarda manifestação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o pedido da Aneel para ingressar como assistente da Enel.

Fonte: g1