Segunda-feira - 22:26 - Carnaval à Beira-Rio: Tradição Resgatada ou Prioridade Deslocada?. Assista ao vídeo Abaixo

19 de janeiro de 2026 · AM · Notícias em Geral

O anúncio do prefeito de Itaperuna, Nel Medeiros, sobre o retorno do Carnaval à Beira-Rio, com videomonitoramento e esquema especial de segurança, reacendeu a memória afetiva da cidade, mas também trouxe à tona um debate urgente sobre as prioridades da gestão pública.

Ao citar o saudoso Cláudio Cerqueira Bastos, o “Claudão”, o prefeito evocou um período em que o Carnaval simbolizava encontro, cultura e celebração popular. A lembrança carrega valor histórico, mas também impõe responsabilidade diante da realidade atual do município.

Segundo o chefe do Executivo, todos que acessarem a Beira-Rio uma via pública serão revistados, medida que, embora justificada como preventiva, levanta questionamentos jurídicos e sociais sobre sua aplicação ampla e contínua em um espaço aberto à livre circulação.
Itaperuna iniciou mais um ano registrando homicídios, após um 2025 marcado por índices de violência alarmantes, proporcionalmente superiores aos de grandes capitais. Vidas foram interrompidas, famílias devastadas e crimes transformados em estatísticas, sem respostas claras à população.
Diante desse cenário, cresce o questionamento nas ruas: por que o mesmo rigor anunciado para um evento pontual não se transforma em política permanente de segurança?

Moradores apontam a ausência de câmeras fixas em praças e bairros, a fragilidade das ações preventivas e a sensação constante de insegurança que afeta trabalhadores, estudantes e comerciantes. Para muitos, investir em segurança apenas em períodos festivos transmite a ideia de que a proteção do cidadão é temporária, e não prioridade contínua.

Não se trata de ser contra o Carnaval manifestação cultural legítima e necessária, mas de questionar a hierarquia das ações públicas. O resgate da tradição não pode se sobrepor ao direito fundamental à vida.
A população de Itaperuna não pede vigilância apenas para quem vai festejar, mas proteção diária para quem precisa viver. O que está em jogo não é a festa, mas o futuro de uma cidade que exige políticas públicas capazes de ir além do calendário de eventos.

Por: Nathália Schwartz