Quarta-feira - 08:21 - Família pede justiça pela morte de jovem por negligência médica em Itaperuna. Veja Abaixo
Em meio à comoção que tomou conta de Itaperuna, um vídeo tem sido compartilhado de forma intensa nas redes sociais. Nele, o irmão de Emerson Santos Ferreira transforma o luto em denúncia um relato firme, doloroso e carregado de detalhes que levantam questionamentos sobre a condução do atendimento médico recebido pelo jovem.
A fala é direta. Sem rodeios.
E começa com um número que se repete como um grito: seis vezes.
Foram seis idas ao pronto atendimento durante a semana do carnaval.
Seis momentos em que, segundo o relato, Emerson buscou ajuda apresentando dores no peito, desconforto nas costas e sinais que, com o passar dos dias, se agravaram visivelmente.
No vídeo, o irmão descreve uma sequência de atendimentos marcados, segundo ele, por condutas semelhantes: medicação sintomática, ausência de investigação mais aprofundada e a orientação para retorno para casa.
Em determinado momento, o relato ganha um tom ainda mais sensível. Ele afirma que o quadro chegou a ser interpretado como algo de natureza emocional ou passageira hipótese que, na visão da família, contribuiu para retardar a identificação da gravidade do caso.
A narrativa também menciona a realização de um exame de imagem em uma das últimas idas à unidade. Ainda assim, segundo o depoimento, não houve naquele momento um encaminhamento que refletisse a urgência do quadro que, posteriormente, seria identificado como uma pneumonia em estágio avançado.
O vídeo revela, sobretudo, a insistência.
A tentativa contínua de ser ouvido.
O esforço de um jovem que, mesmo debilitado, retornava em busca de respostas.
E revela também o desfecho.
Após a internação, o diagnóstico veio tardiamente, já com o quadro considerado grave. A evolução foi rápida e irreversível.
No vídeo, o irmão não levanta apenas a dor da perda. Ele levanta uma tese, que hoje mobiliza parte da população: a de que não foi apenas a doença que levou Emerson, mas uma possível falha no processo de atendimento.
A repercussão tem sido imediata, moradores da cidade passaram a compartilhar o vídeo acompanhado de mensagens de indignação e pedidos por apuração rigorosa do caso.
Nomes da gestão pública municipal, como o secretário de saúde Sávio Sabóia e o prefeito Emanuel Medeiros, têm sido mencionados nas cobranças por esclarecimentos.
Enquanto isso, o vídeo segue circulando não apenas como um registro de dor, mas como um documento emocional que expõe, sob a ótica de quem viveu a perda, a fragilidade de um atendimento que ainda precisa responder a muitas perguntas.
Mais do que um desabafo, o relato se transforma em um ponto de partida: para investigação, para reflexão e, sobretudo, para que histórias como essa não se repitam.
Nathália Schwartz