Quinta-feira - 17:55 - 'Ele botou papel e pano na boca do meu filho e ficou rindo', diz ex-namorada de Jairinho no júri. Veja Abaixo
Rio - O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, nesta quarta-feira (28), no II Tribunal do Júri do Rio, foi marcado por um dos depoimentos mais fortes apresentados até agora. Ex-namorada de Jairinho, a assistente social Débora Mello Saraiva relatou aos jurados episódios de violência que, segundo ela, aconteceram ao longo dos cerca de seis anos em que manteve um relacionamento com o ex-vereador, incluindo agressões físicas a ela e ao filho, E., que na época tinha por volta de 3 anos.
Débora afirmou que o menino só conseguiu falar sobre uma das agressões anos depois, após a repercussão do caso Henry Borel e da prisão de Jairinho. Segundo a testemunha, o filho primeiro revelou o episódio à avó e à tia, durante uma viagem da família para Angra dos Reis. Depois, repetiu a mesma história para ela.
“Ele olhou para mim e perguntou: ‘Mamãe, você sabe o que ele fez comigo?’”, contou. Em seguida, segundo Débora, E. relatou em detalhes o que teria acontecido dentro de um apartamento montado pelo casal, onde passou a noite ao lado da irmã mais velha.
“Ele contou que o Jairo mandou a C. dormir e disse que ia cuidar dele. Depois, falou que botou papel e pano na boca dele para que ele não gritasse e começou a pisar na barriguinha dele. E que ele ficava rindo”, afirmou a testemunha diante dos jurados.
Tempos depois da agressão, Débora contou que encontrou um desenho, feito pelo filho, em que Jairo aparece sorrindo e pisando nele.
Débora relatou ainda um episódio de agressão ao filho e também de abuso sexual contra ela. A assistente social disse que, naquela noite, estava desacordada em outro cômodo e que só mais tarde compreendeu o que tinha acontecido.
“Eu fui dopada por ele naquele dia. Foi o mesmo dia em que ele me estuprou”, afirmou. Segundo ela, o filho ainda contou que tentou acordá-la após a agressão, mas não conseguiu. “Ele falou: ‘Mamãe, eu tentei te acordar, eu te sacudi, mas você não respondia’”, relatou.
A ex-namorada também afirmou que E. contou que Jairinho teria colocado um saco plástico sobre a cabeça dele e rodado com a criança dentro do estacionamento do prédio. De acordo com Débora, até aquele momento o menino nunca havia conseguido verbalizar o episódio.
Outro ponto do depoimento foi uma fratura sofrida por E. ainda pequeno. Segundo a testemunha, Jairinho pediu para levar a criança sozinho a uma confraternização. Horas depois, ligou dizendo que o menino havia se machucado.
Débora contou que encontrou o filho no shopping e o levou para fazer um raio-x. O exame apontou fratura no fêmur. “Quando fizemos o raio-x, ele estava com o fêmur quebrado. Foi grave e ele precisou colocar o osso no lugar”, afirmou.
Segundo Débora, foi Jairo quem chegou ao hospital relatando o que teria acontecido e o médico não o questionou em nenhum momento. "O médico não indagou como aconteceu a lesão no fêmur. No hospital estava eu e Jairo. Ele saiu contando como aconteceu sem o médico perguntar, falando que foi uma queda ao cair do carro", afirmou.