Blog do Adilson Ribeiro

Segunda-feira – 08:33 – “Roubaram um pedaço da minha vida” Agora livre, Misael de Souza, 23, fala do horror de passar quatro anos em uma prisão por um crime que não cometeu. Veja Abaixo:

“Perdi quatro anos da minha vida após ser condenado por um crime que não cometi. Uma injustiça que me roubou tempo precioso e deixou uma marca que vou levar comigo. Tudo começou em janeiro de 2022, quando uma idosa foi vítima de latrocínio na área rural de Jequitinhonha, em Minas Gerais, onde eu morava. É um lugar pequeno, de não mais que 400 pessoas. Tinha 19 anos e me preparava para ir ao trabalho, tranquilo, até meu pai aparecer comentando o caso. Fiquei chocado: conhecia aquela senhora. Nunca imaginei, porém, que também eu seria arrastado para a história. Estava me aproximando da barbearia onde era gerente e fui parado por uma viatura policial. Não entendi nada. Os agentes disseram que iam me levar à delegacia e me colocaram junto a outras quatro pessoas no bagageiro. Ali caiu a ficha — éramos suspeitos do crime. Os policiais estavam ainda em busca de outro homem. Ao ser capturado, eu seguia na delegacia e o vi apontar para mim e para outro rapaz. Segundo ele, havíamos sido seus parceiros no bárbaro episódio.

Não dava para acreditar no que estava acontecendo, mas me acalmei: aquilo não iria adiante, pensei. O suspeito não parava de mudar sua versão, e eu tinha um álibi. No dia e hora do crime, estava com minha mulher e a irmã dela. Fui liberado, e achei que era o ponto-final. Errei. Uma semana depois, os policiais bateram à minha porta com um mandado de prisão. Só poderia ser um engano que rapidamente se esclareceria. E, de novo, estava eu na delegacia. Pois dessa vez não apenas não me soltaram, como, sete meses depois, fui sentenciado a 24 anos de prisão em um processo baseado na palavra do criminoso. Foi duro. A sensação de injustiça é um horror. Eu era jovem, minha esposa estava grávida de sete meses e tínhamos planos. Havia acabado de conseguir um terreno para abrir minha própria barbearia. Era uma pessoa de sorte com uma vida boa, até ser posto em uma cela, no presídio de Jequitinhonha. […]”

Fonte:  Veja/ Foto: arquivo pessoal

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