Uma denúncia de suposta violência psicológica praticada por uma professora contra uma aluna de apenas 8 anos está sendo investigada pela Polícia Civil em Campos. O caso teria ocorrido na Escola Municipal Marlene Henriques Alves, no Parque Aeroporto, em Guarus, e foi registrado pela mãe da criança, que relata uma série de situações envolvendo tratamento considerado inadequado por parte da educadora. A Prefeitura de Campos emitiu nota sobre o caso (ao final da reportagem).
De acordo com a polícia, a mãe da estudante informou que a filha vinha sofrendo episódios recorrentes de constrangimento e tratamento ríspido dentro da escola. Segundo o relato, a professora teria impedido a menina e outros alunos de utilizarem o banheiro e beberem água durante o período das aulas.
Ela também contou que a criança relatou situações em que teria sido tratada com indiferença pela educadora. Em um dos episódios narrados, a aluna ainda copiava o conteúdo do quadro quando a professora começou a apagá-lo. Ao pedir que aguardasse alguns instantes, a estudante teria ouvido como resposta a frase: “Problema seu”.
Ainda segundo a mãe, em um determinado dia a filha retornou para casa com roupas sujas de fezes e urina por não ter conseguido autorização para ir ao banheiro. Ela afirma que a direção da escola já havia sido informada sobre os fatos e que registros foram feitos no livro de ocorrências da unidade. A responsável também relatou ter recebido informações de que outros pais teriam registrado reclamações semelhantes.
Outro ponto destacado na denúncia é que a professora teria discutido com a criança, quando a mãe dela compareceu à escola para questionar a situação. O episódio, segundo o relato, teria sido presenciado pela diretora da instituição.
A denúncia ganhou contornos ainda mais graves após um episódio ocorrido em 7 de maio. Na ocasião, a menina apresentava dor de cabeça, foi medicada pela mãe e levada à escola apenas para realizar uma prova. Cerca de dez minutos após deixar a filha na unidade, a responsável recebeu uma ligação da direção informando que a criança estava passando mal.
Ao chegar ao local, a mãe encontrou a menina sem responder adequadamente aos estímulos e em estado de apatia. Conforme o relato, a criança apresentou sinais compatíveis com uma crise convulsiva, incluindo movimentos involuntários dos olhos, dificuldade para falar, aceleração dos batimentos cardíacos, lábios arroxeados e vômito.
A mãe afirma que nenhum funcionário da escola teria acionado serviço de emergência ou ambulância. Diante da situação, ela pediu ajuda ao pai para que a criança fosse levada ao hospital.
Após atendimento médico, a menina recebeu alta com recomendação de acompanhamento especializado com neurologista e psicólogo. Segundo a responsável, a filha nunca havia apresentado quadro semelhante anteriormente.
Desde então, de acordo com a denúncia, a criança demonstra resistência em retornar à escola. Quando questionada sobre o motivo, responde apenas que não quer voltar por causa da “professora má”.
O caso foi registrado na Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias relatadas e ouvir os envolvidos.
A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (SEDUCT) informa que tomou conhecimento das alegações apresentadas pela responsável pela aluna e acompanha o caso com a devida atenção e junto aos órgãos competentes, incluindo a Polícia Civil. A direção da unidade escolar prestou as informações solicitadas e colabora integralmente com as autoridades.
A SEDUCT esclarece que o termo "tortura" não consta, até o momento, nos registros e informações oficiais encaminhados à Secretaria sobre o caso. Entretanto , como medida administrativa adotada pela Secretaria, a profissional deixou de atuar na unidade escolar, de modo a assegurar a adequada apuração do caso e a tranquilidade da comunidade escolar durante as investigações.
A SEDUCT reforça seu compromisso com a proteção dos estudantes, o acolhimento das famílias e a observância do devido processo de apuração. Por se tratar de procedimento em andamento, a Secretaria aguarda a conclusão das investigações para eventuais manifestações adicionais.
Fonte: Campos 24 Horas