Também caíram em combate os homens do Bope ;Cleiton Serafim Gonçalves, 3º sargento, e Herbert, cujo sobrenome ainda não foi divulgado oficialmente.
Cleiton havia sido guarda municipal em Volta Redonda antes de vestir o preto da tropa de elite,eles estavam na linha de frente da incursão e foram surpreendidos por tiros vindos de uma laje.
O governador Cláudio Castro decretou luto oficial de três dias. Nas delegacias e batalhões, o clima é de desolação e bandeiras a meio-mastro, olhos marejados, silêncio pesado.
Nas redes sociais, as homenagens se multiplicam: “Heróis de farda”, “não serão esquecidos”, “morreram servindo”.
“Esses homens saíram de casa para proteger a sociedade e não voltaram. É um dia de dor para toda a polícia do Estado”, declarou o secretário de Polícia Civil, Marcus Amim.
Enquanto famílias choram seus mortos, o Rio revive o mesmo drama que se repete há décadas: a guerra que não termina, a violência que renasce em cada operação.
As investigações tentam entender o que deu errado mas nas ruas, a pergunta é outra: quantas vidas ainda serão sacrificadas nessa guerra sem fim?
Marcus, Rodrigo, Cleiton e Herbert.
Quatro nomes. Quatro histórias.
Quatro homens que acreditaram na farda — e pagaram com a própria vida.
Na manhã desta terça-feira, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro participa de uma megaoperação no Complexo da Penha e do Alemão, integrada pela Secretaria de Estado de Segurança, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e desarticular grupos criminosos.
Sob a orientação e presença do Secretário de Estado de Polícia Militar Comandante Geral Coronel Menezes, os Policiais Militares partiram para mais uma ação com fé, coragem e honra, certos de que servir ao povo fluminense é a maior das missões.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar confirmou, com profundo pesar, a morte do 3º Sargento Cleiton Serafim Gonçalves e do 3º Sargento Heber Carvalho da Fonseca, ambos lotados no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).
Os militares foram baleados durante a Operação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (28/10), nos complexos do Alemão e da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação tinha como objetivo capturar lideranças criminosas e conter a expansão territorial da facção Comando Vermelho.
Os dois sargentos chegaram a ser socorridos e levados ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiram aos ferimentos.
O sargento Cleiton Serafim, de 42 anos, ingressou na corporação em 2008. Ele deixa esposa e uma filha. Já o sargento Heber Carvalho, de 39 anos, ingressou na corporação em 2011. Ele deixa esposa, dois filhos e um enteado.
A operação policial que deixou pelo menos 64 mortos (60 suspeitos e quatro policiais) no Rio, nesta terça-feira, tem números impactantes — trata-se da ação mais letal da história do estado, superando em mais do que o dobro os 28 óbitos registrados no Jacarezinho em 2021. Até o momento, também foram confirmados 93 fuzis apreendidos e 81 presos. Além dos dois policiais civis e dois PMs mortos, outros nove agentes ficaram feridos.
Durante os confrontos, além das intensas trocas de tiros, traficantes chegaram a usar drones com explosivos contra as forças de segurança. O ápice da guerra fluminense inclui ainda comércio e instituições de portas fechadas e um completo caos na volta pra casa do carioca, que, diante da escassez de ônibus — usados pelos criminosos para bloquear vias desde o início da tarde —, enfrenta trens e metrôs lotados. Muitos arriscaram longas caminhadas, de mais de uma hora.
Em outro sinal da escalada na crise, o governo estadual declarou que não tem condições de atuar sozinho e que o conflito ultrapassou o âmbito da segurança pública tradicional. Em uma demonstração inédita de poder bélico, bandidos utilizaram drones para lançar granadas contra equipes das forças especiais da Polícia Civil e da PM, em um cenário típico de guerra. Para esse “bombardeio”, é acionado um gatilho mecânico ou elétrico que libera a carga enquanto mantêm o equipamento em voo.
Alemão e Penha são alvos de megaoperação para conter avanço do CV
As intervenções de criminosos pelas vias do Rio também afetaram o retorno pós-trabalho. Com o trânsito interrompido por barricadas e interdições, o tráfego ficou lento, com retenções em diversos corredores urbanos. Além disso, a circulação de ônibus foi reduzida, o que provoca aglomerações em pontos de parada. As estações do metrô estão lotadas, e as barcas Rio- Niterói também registram grande número de passageiros.
Comércio e instituições fechadas
Enquanto o caos alastrava-se, portas fechavam-se no comércio e instituições por diferentes pontos da cidade e da Região Metropolitana, como em Niterói, São Gonçalo e na Baixada Fluminense. A UFRJ, a Uerj e a Universidade Federal Rural do Rio suspenderam aulas, bem como faculdades privadas como a Estácio de Sá, que paralisou as atividades em todas as suas unidades do Grande Rio.
Por causa da operação, 46 unidades de educação municipais também tiveram o funcionamento paralisado: 29 no Alemão e outras 17 no Complexo da Penha. Cinco unidades de Atenção Primária que atendem a região não chegaram nem a começar a operar.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) antecipou a saída de trabalhadores, estudantes, usuários e visitantes da instituição. As atividades foram encerradas nos campi às 15h30. Outra instituição a suspender atividades foi o Sesc RJ, nas unidades na capital e na Região Metropolitana. “A medida tem como objetivo garantir a segurança de funcionários, credenciados e do público em geral, além de colaborar com as ações das forças de segurança”, informa, em nota.
Até a Câmara Municipal do Rio de Janeiro suspendeu a sessão plenária prevista para esta terça-feira. Segundo a Casa, a medida visa a garantir a segurança de todos.
Bares e outros estabelecimentos do gênero também optaram por não abrir. O Bar da Gema e o Cine Botequim 2, ambos no Maracanã, estão entre eles. O segundo diz que “lamentavelmente, devido aos acontecimentos que estamos acompanhando na cidade e prezando pela segurança de nossos funcionários e clientes, não funcionaremos hoje”.
Um policial civil foi baleado nesta terça-feira (28) durante a megaoperação no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. O agente foi atingido em meio a um intenso confronto com criminosos do Comando Vermelho.
Vídeos mostram o momento em que colegas prestam socorro ao policial ferido, retirando-o de uma área de mata sob forte tiroteio. A ação, considerada a mais letal da história do estado, já deixou dezenas de mortos e feridos. O clima segue de guerra na região.