Quarta-feira – 22:10 – Polícia diz que objeto apreendido em comunidade no Rio é arma de guerra

A Polícia Militar anunciou a apreensão de um artefato com características de lança-rojão encontrado em uma comunidade de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, na manhã desta quarta-feira. Durante a tarde, o delegado titular da 36ª DP (Santa Cruz), onde o caso foi registrado, confirmou que o objeto – localizado em um terreno abandonado na área do Rola – se trata de uma arma de guerra verdadeira, com base em uma primeira avaliação realizada pelo Esquadrão Antibombas.

“O Esquadrão Antibombas fez uma avaliação preliminar e nos passou que a arma se trata de um lança-rojão de 67 mm, anti-tanque, do tipo ‘armbrust’. A arma seguiu direto para perícia no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), pois estava com a ogiva dentro e já de forma engatilhada”, declarou o delegado Luis Jorge Rodrigues da Silva.

Somente após a perícia oficial do ICCE, no entanto, será possível confirmar o tipo de arma encontrado com 100% de precisão.

Ao analisar as imagens para o EXTRA, o diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG) no Rio de Janeiro e especialista em armas Vinícius Domingues Cavalcante também identificou o armamento como sendo uma ‘armbrust’, de fabricação alemã e largamente produzida durante o período da Guerra Fria. Ela é considerada um lançador de foguete descartável, de um único tiro; e anti-tanque, ou seja, projetada para destruir carros de combate e outros veículos blindados.

“O tubo é descartável depois do disparo e, pelas fotos, dá para ver a munição dentro (o foguete vermelho de ponta), mas daí a considerar que o foguete é ‘vivo’, que está em condições de disparo, é mais complexo”, diz Cavalcante.

Armas como a ‘armbrust’ são de uso restrito das Forças Armadas.

“Nós já encontramos aqui lançadores de foguete M-72 (Law 66 mm), um outro tipo, em condições de uso, e a criminalidade nunca usou. A diferença é que o M-72 tem inscrições na lateral do tubo ensinando o soldado analfabeto como vai disparar. Um monte de Forças Armadas na América Latina, inclusive em países limítrofes com o Brasil (como Argentina, Peru, Colômbia e Venezuela), utilizavam o M72. A única que usava o armbrust, como o que foi encontrado hoje pela polícia, era o Chile. O fato de existir no Exército Chileno não é significativo para explicar como é que um deles apareceu numa favela do Rio de Janeiro”, destaca o profissional, salientando que nunca teve a oportunidade de ter um exemplar do Armbrust nas mãos para examinar, como já fez com o M-72 e o AT-4.

O especialista acredita que, mesmo tendo em mãos um artefato com capacidade de disparar projéteis de 67 mm e com um alcance de fogo efetivo de 300 m, criminosos não estariam aptos a manuseá-lo:

“Eu acredito que o potencial dessa arma seja muito mais de dissuasão psicológica do que efetivamente uma coisa que algum criminoso vá disparar contra um veículo policial, por exemplo. Pode destruir um caveirão? Talvez possa, dependendo do tipo de foguete que está dentro, mas eu pergunto: quem dos criminosos teria condições de operá-lo e faria um disparo certeiro com ele? Essa arma não é empregada no Brasil e esse modelo deixou de ser fabricado há mais de 12 anos”, afirma Cavalcante.

Durante a incursão pela comunidade do Rola nesta quarta-feira, os PMs também recuperaram uma moto roubada e apreenderam drogas, sendo 540 papelotes de cocaína e 118 trouxinhas de maconha.

Fonte: Extra online

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