Defender o autoconhecimento é quase um cacoete para nós, terapeutas. Entendemos que, quanto mais mergulhado naquilo que é, maior a capacidade de realização do ser humano. Mas esquecemos de uma valorosa lição anterior a essa questão.
É bem comum receber em meu consultório pessoas com queixas difusas, um tanto repetitivas, sobre um mal estar que as acompanha. Quando convidadas a se aproximarem do motivo da perturbação, assumem uma postura de esquiva.
Algumas chegam a confessar (pouco antes de abandonarem o processo) que não gostariam de mudar. Até mesmo quando atestam como este modo de ser acarreta sofrimento.
A dificuldade manifestada aí é a do autodesconhecimento. Em suma, a nossa capacidade de revisar e avaliar crenças que nos guiam, antes de propor alguma transformação.
É impossível reestruturar a vida sem uma disposição prévia de mudança de perspectiva, sem estarmos dispostos ao compromisso do exercício. As trans Writing Studio es e que, se ainda presentes, já seríamos capazes de enfrentá-las.
Muitos se perturbam com um sentimento esquisito, como se experimentassem uma sensação de traição a estes ideais que já foram tão caros. Honrar as bandeiras orientadoras do passado não significa precisar mantê-las hasteadas – quando já não mais traduzem nosso norte atual.
Não devemos temer o vazio, a incerteza e a inquietação, pois é a partir deles que encontraremos novos recursos – muito mais pertinentes àquilo que nos atravessa hoje. O velho pode encobrir o novo, o saudável.
Nisso consiste de fato o tal autoconhecimento tão desejado. Ampliar a consciência do si mesmo é poder explorar ao máximo as possibilidades e potências que nos consagram como um ser único. Mas elas só se revelam quando olhamos para dentro, norteados pela máxima socrática do “só sei que nada sei”.
Metrópoles Writing Studio

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ASSIM COMO PENSA EM SEU CORAÇÃO…assim será.
Um jovem rico, piedoso e observante dos mandamentos encontrou-se com Jesus. Chamou-o “Mestre” e desejava possuir a vida eterna. Para conseguir essa meta observava os mandamentos com perfeição. Jesus o olhou com amor e, então, pronunciou o convite exigente: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me”!
Marcos 10:17
O sujeito não é um objeto novo inventado de um amontoado de carne crescida naquelas poucas horas que se foram. O sujeito é sim produto de uma épica sucessiva e cumulativa cadeia de múltiplos atributos divinos (estados de ânimos) que remonta os tempos e que nele se manifestam, expressando, nesse momento atual, um fenômeno que por falta de melhor argumentação humana foi denominado vida.
A história de um sujeito não começa naquele dia em que ele nasceu. O cara já nasceu um livro com páginas cheias de histórias. Quando o sujeito mira no espelho está vendo atributos de Deus que se manifestam desde os seus pais, avós, bisavós, e mais, e mais, e mais longe. O sujeito jamais vai conhecer a si mesmo porque a sua memória não está habilitada para buscar tão longe quanto vai a sua história real. A memória do sujeito é própria para operar passado apenas recente ao ponto suficiente de habilitá-lo para refletir e perceber os atributos de Deus que nele ora estão se expressando.
Se o próprio sujeito não foi adequado para o livre e espontâneo acesso ao seu remoto passado, não serão terceiros interessados aqueles mais adequados para tal tarefa. Fato é que o dever de um sujeito se resume em ater-se aos poderes de Deus que nele se expressam e que são potenciais latentes prontos para habilitá-lo em sua jornada.
Um cão não se atreve saltar de uma laje porque tem a perfeita percepção do perigo à espreita. O cão não salta porque confia na sua própria percepção, isto é, o cão não tem “riqueza de conhecimentos” adquiridos e por isso a sua intuição atua com perfeição e nela o cão confia. Em outras palavras, o cão, de fato, confia em Deus. O homem se enche de crendices e a sua real percepção falha ao ponto até mesmo de não deixá-lo perceber o real perigo. O homem vacila em sua relação com a voz interior, ou seja, o homem não confia em Deus.
A metáfora bíblica acima mostra bem esse contexto. Não se trata da narrativa de uma conversa entre um jovem cheio de tesouros e a pessoa física de um filho de Deus. Jesus Cristo na verdade significa estados de ânimos que habitam no sujeito e que tem poder divino, ou seja, os verdadeiros filhos de Deus. No fundo, são esses estados de ânimos aqueles tais pobres citados, aos quais de fato se deveria dar o devido valor real e atenção e não ao conteúdo de crendices como normalmente fazem as pessoas. O simbolismo do jovem rico faz referência a qualquer sujeito atual, despido do seu remoto passado. A riqueza do jovem diz respeito ao tal patrimônio de crendices e conhecimentos adquiridos por meio das informações de todo o tipo, isto é, um intelecto repleto de valores humanos sem efeitos práticos, enquanto que os verdadeiros poderes de Deus jazem obstruídos pelo falso intelecto. O simbolismo de “vender tudo o que tem” é justamente para enfatizar o devido valor que se deve dar aos atributos de Deus no sujeito, isto é, exaltar Deus em si mesmo. Por exemplo: enquanto aquele medíocre confere poderes aos vírus, bactérias e doenças, o homem que confia em Deus reconhece o real poder do seu sistema imunológico. Em outras palavras,ter medo de doença é se predispor a adoecer.
Acreditar em Deus é tarefa fácil e não implica em qualquer esforço interior. É como acreditar que o Pelé pode voar por si até a Lua. Basta dizer que sim sem o comprometimento de provar a proposição. Por outro lado, confiar em Deus implica num ato interior de coragem porque envolve renúncias de diversas naturezas.