Blog do Adilson Ribeiro

Quarta feira 15:37 – Ex-professor da UNIG encara o inédito desafio de ensinar matemática à distância para cegos. Clique na foto abaixo e Saiba mais:

De Recife (PE), onde reside atualmente, o professor e engenheiro João Vinhosa ensinará a um grupo de cegos da cidade de Cascavel (PR) a entender toda a Álgebra dada no Ensino Fundamental. O material didático não utilizará a linguagem braile. Os textos, produzidos pelo próprio professor, serão gravados em áudio. A proposta é levar um aluno que domine apenas as quatro operações fundamentais (soma, subtração, multiplicação e divisão) a entender, inclusive, a famigerada Equação do Segundo Grau. Naturalmente, para alcançar tal objetivo, o grupo Entenda Matemática CVL, formado no What’sApp, terá que aprender Equação de Primeiro Grau e Sistema de Equações, além de diversas ferramentas de Aritmética como Frações Ordinárias, Operações com Parêntesis, Números Relativos, Potências e Raízes, enfim, toda aquela parafernália que tirou, e tira, o sono da maioria dos alunos. Para maiores informações, ler o que foi publicado no blog Alerta Total sob o título “Revolução à vista no ensino da Matemática?, cuja cópia se segue.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Revolução à vista no ensino da Matemática?

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão – [email protected]
Membro do Comitê Executivo do
Movimento Avança Brasil

A má fama que tem a Matemática de ser o “bicho-papão” dos estudantes, quem diria, pode estar com seus dias contados. Isto, se a experiência de um grupo de estudos que foi formado no WhatsApp com o objetivo de promover o ensino à distância de Matemática Básica para Cegos for bem-sucedida.

O grupo foi criado por cegos da cidade de Cascavel, e tem como supervisor o engenheiro e professor universitário João Vinhosa – que, há muito tempo, vem publicando artigos no Alerta Total, defendendo a tese que a Matemática é muito mais fácil que parece.

A proposta inicial do grupo Entenda Matemática CVL é levar, em tempo relativamente curto, pessoas que só sabem efetuar as quatro operações fundamentais (soma, subtração, multiplicação e divisão) a dominar todos os conceitos de equações de segundo grau – o que, para ser alcançado, exigirá que as pessoas aprendam diversos outros assuntos correlatos, como equações de primeiro grau e sistemas de equações. Ou seja, o aluno será levado do nível “zero” ao entendimento total do que realmente importa em todo o conteúdo de Álgebra do ensino fundamental.

Diferentemente de outras iniciativas para se estudar Matemática, o grupo não se preocupou em nivelar os conhecimentos necessários para, em seguida, iniciar os assuntos objeto dos estudos. Fez melhor. Respeitando o fato que é impossível uma pessoa entender determinado assunto de Matemática sem entender outros assuntos dos quais ele depende, o grupo não realizou um nivelamento antecipado; optou por apresentar todos os diferentes assuntos a partir dos conhecimentos mais elementares.

Deve ser destacado que, na experiência em questão, não foi utilizado qualquer “método milagroso”. Todo o material foi preparado com base no entendimento da matéria, com o professor raciocinando junto com o aluno o mais detalhadamente possível.

Para alcançar o objetivo ao qual se propõe, foram produzidos sete fascículos de cerca de vinte e cinco folhas cada, que serão estudados observando rigorosamente a ordem de apresentação programada.

Devido ao fato de toda a transmissão de conhecimento ser feita via Internet, descartou-se a hipótese de passar para a linguagem Braile os fascículos digitados em word. O conteúdo dos fascículos será distribuído em áudio aos participantes do grupo.

Uma das opções seria a utilização de um sistema que transforma em áudio o que está digitado. Apesar de tal sistema funcionar muito bem e ser de uso generalizado pelos cegos, está sendo testada, também, a alternativa de entregar aos participantes todo o material gravado pelo próprio autor dos fascículos, o professor João Vinhosa. Considera-se, inclusive, a utilização das duas alternativas, aproveitando-se as vantagens de uma e de outra.

É importante ressaltar que a ordem de apresentação da matéria feita pelo grupo de Cascavel é radicalmente diferente da ordem dos assuntos tradicionalmente utilizada em nossas escolas. É a seguinte a ordem de apresentação do grupo: Fascículo 1 – Equação de Primeiro Grau; Fascículo 2 – Sistema de Duas Equações; Fascículo 3 – Frações Ordinárias; Fascículo 4 – Números Relativos e Uso de Parêntesis; Fascículo 5 – Problemas de Equação e de Sistema; Fascículo 6 – Potência e Raízes; e Fascículo 7 – Equação de Segundo Grau.

Referida mudança na ordem de apresentação dos assuntos é indispensável para atingir o objetivo do projeto. É indispensável, porque com a ordem mudada, o aluno é levado a raciocinar matematicamente o mais cedo possível, o que é considerado de importância capital para o andamento dos estudos.

Na realidade, o desafio é enorme. De Recife (PE), o professor ensinará Matemática a um grupo de cegos de Cascavel (PR). E, diante de tão grande desafio, o provável êxito do grupo abalará, de maneira definitiva, a reputação de a Matemática ser o vilão da Educação e de ser a principal responsável pelos altos índices de evasão escolar.

Não mais poderá se alegar que a Matemática é uma matéria compreensível apenas por alunos dotados de uma inteligência privilegiada. O grupo de Cascavel não está selecionando participantes que sejam mais inteligentes; a única coisa que se pede é perseverança para estudar os assuntos a partir dos conhecimentos mais elementares.

Além de tudo, deve ser destacado que a pretensão maior do grupo de Cascavel é a formação de monitores, selecionados entre os participantes dos grupos de estudo criados no WhatsApp. Com a ajuda de tais monitores, pretende-se divulgar os conhecimentos adquiridos, colaborando, assim, para o combate a um dos principais obstáculos encontrados para a inserção do cego no mercado de trabalho: a falta de familiaridade com a Matemática Básica.

Para que seja avaliado o nível do material didático no qual serão baseados os estudos do grupo Entenda Matemática CVL, e para que sejam feitas críticas e sugestões aos trabalhos, basta solicitar cópia do Fascículo 1 Equação de Primeiro Grau ao endereço [email protected]. Com o objetivo de facilitar o encaminhamento, pede-se que seja colocado no assunto apenas os seguintes dizeres: ENCAMINHAR FASCÍCULO 1.

Em referido fascículo, em tempo relativamente curto, um participante que só sabe efetuar as quatro operações fundamentais é levado a entender perfeitamente a solução de problemas considerados complicados por muitos estudantes que se conside Writing Studio dantes universitários que têm dificuldade nos assuntos básicos de Matemática, para jovens que não conseguem seguir o ensino médio por estarem despreparados na matéria, etc.

Da redação do Blog do Adilson Ribeiro Writing Studio

Um comentário sobre “Quarta feira 15:37 – Ex-professor da UNIG encara o inédito desafio de ensinar matemática à distância para cegos. Clique na foto abaixo e Saiba mais:

  1. Mouraci Stephen Carecho

    APRENDER E APREENDER…são coisas distintas

    Enxergar não é um processo passivo em que imagens penetram casualmente pelos olhos daquele agente que observa. O processo da percepção visual é um ato interativo entre a psique do observador que busca e a essência daquele objeto externo que se lhe apresenta. Em verdade, o ambiente externo continuamente está oferecendo-se para ser percebido por qualquer observador que vai percebê-lo de acordo com a intenção da sua psique que busca. Seria como naquele caso quando pessoas que marcam de se encontrarem num local muito movimentado e, apesar do muito tumulto, aqueles agentes se localizam já desde longe, pois ambos previamente já tinham a intenção de se “buscarem”. Só percebemos do ambiente externo aquilo que a nossa psique busca. Isso se aplica para todo o sistema sensorial da pessoa.

    Mas o que tem isso a ver com aprender matemática?

    Matemática não é uma ciência exata como sempre foi declarado. A palavra EXATO significa ser perfeito, que não admite ajustes, que não contém erros. E essa noção está intuitiva na psique de todas as pessoas, ainda que elas não saibam explicar por meio das palavras adequadas. Desse modo, estão aptas a perceberem aquilo que “soa” esquisito aos seus ouvidos. E por isso rejeitam.

    Assim, tem-se para exemplo que o símbolo 0 (zero) não pode ser considerado um número, pois o zero pretende significar o nada e o nada não existe, não é coisa possível de ser percebida. O zero só pode ser concebido como uma ideia abstrata. É necessário certo esforço mental para conceber o nada já que se vive num meio ambiente cheio de coisas. Essa tarefa não é tão automática em todas as pessoas.

    Os numerais 1, 2, etc. já podem ser facilmente percebidos porque são símbolos que fazem referência a padrões reais, ou seja, coisas que estão mesmo lá onde se as percebem. Tais números possuem correspondência no mundo real e podem ser representados por objetos reais. Já os números negativos não existem como entes reais pois não há como representá-los por objetos reais e sim somente como símbolos sem correspondências no mundo da percepção real. Logo, é necessário certo esforço mental para conceber como ideias subjetivas.

    Se caminhar o raciocínio mais adiante vai se deparar com um mundo mais complexo de abstrações dentro da matemática, principalmente no campo da geometria onde os conceitos de ponto, reta e plano são muito mais abstratos ainda e operar com a abstração não é tão simples no quanto se supõe. As coisas são naturalmente apreendidas ou rejeitadas pela psique do sujeito. A inclinação natural para a coisa conta nisso.

    De qualquer forma, muito louvável é, tal desafio, em desenvolver métodos que procuram levar a matemática ao alcance de todos. Entretanto cabe observar que a facilidade ou dificuldade no aprendizado da matemática tem ligação direta com a hereditariedade do sujeito, pois a psique humana é um órgão do corpo como outro órgão qualquer, com a sua conexão no passado hereditário.

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