Blog do Adilson Ribeiro

Brazília – 11:35 – Polícia investiga suposto desaparecimento de recém-nascida. Veja abaixo:

 

Ainda debilitada física e emocionalmente pela cirurgia, a gestora de negócios não questionou o profissional naquele momento. Acolheu Jéssica nos braços e, posteriormente, foi liberada para ir embora. À época, ela vivia no 4º andar de um prédio no Cruzeiro. No conforto do lar, sentiu-se enganada pela primeira vez. “Tudo passou pela minha cabeça de novo e vi que tinha algo errado. Não conseguia aceitar que tinha sido vítima de um golpe tão cruel. Mas não tinha provas”, conta.

Seis meses depois, Patrícia seguia para o HFA, onde Jéssica havia sido internada mais uma vez. No ônibus, a enfermeira Maria Rodrigues da Silva, 47, reconheceu a mulher. “Ela se aproximou e perguntou se eu tinha encontrado minha outra filha. Eu fiquei perplexa. Ela disse que eu tinha tido gêmeas, sim, e que uma tinha sido levada para substituir a filha de um general. Ela nunca disse me disse o nome dela e, em um momento de desespero, procurei explicações na direção do hospital”, lembra Patrícia.

Na nota de alta: Na nota de alta: “Cesárea por gemelaridade e aprestação de alta”
(foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
Uma apuração interna foi aberta no Hospital das Forças Armadas. Entretanto, a investigação foi arquivada. A reportagem entrou em contato com a assessoria do HFA por e-mail e aguarda retorno da demanda. A matéria será atualizada assim que o posicionamento for encaminhado.

O Correio notificou o caso em 4 de abril de 1998. Na época, o relações públicas do HFA, o tenente-coronel Etevaldo Marques Barbosa alegou que o o Writing Studio ção interna foi aberta no Hospital das Forças Armadas. Entretanto, a investigação foi arquivada. A reportagem entrou em contato com a assessoria do HFA por e-mail e aguarda retorno da demanda. A matéria será atualizada assim que o posicionamento for encaminhado.

O Correio notificou o caso em 4 de abril de 1998. Na época, o relações públicas do HFA, o tenente-coronel Etevaldo Marques Barbosa alegou que o obstetra Álvaro Dacomuni se enganou. “Ele fez uma leitura errada da ecografia. Como o útero da mãe estava cheio de água, a cabeça da criança ficou girando lá dentro de um ponto para outro, dando a impressão de serem duas. Realizamos sindicância e chegamos à conclusão de que houve erro”, afirmou na ocasião. A reportagem também indicou que os prontuários de Patrícia apresentavam indícios de adulteração.

De acordo com a delegada Claudia Alcântara, chefe da 3ª DP, será pedido o processo de investigação arquivado em 1998. “Irei entrar em contato com a Justiça Militar para ter acesso ao documento. Assim, poderei avaliar o que foi apurado ou não. Esse é nosso primeiro passo”, adianta.
Morte da enfermeira
O inquérito por desaparecimento em apuração aberto na 3ª DP também irá investigar a morte da enfermeira Maria Rodrigues, única testemunha que poderia comprovar a suposta existência das duas filhas de Patrícia. A profissional da saúde faleceu em 29 de dezembro do mesmo ano, após dar entrada no HFA para passar por procedimento cirúrgico de histerectomia — retirada completa do útero.

O servidor público José Wesley Rodrigues Bezerra, 39, esteve nesta sexta-feira (20/9) na delegacia. Ele relata ao Correio que acredita que a mãe foi morta por negligência médica, porque a enfermeira seria um “problema”.

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A enfermeira Maria Rodrigues da Silva faleceu meses após relatar ter cuidado das filhas gêmeas de Carla Patrícia(foto: Material cedido ao Correio) A enfermeira Maria Rodrigues da Silva faleceu meses após relatar ter cuidado das filhas gêmeas de Carla Patrícia
(foto: Material cedido ao Correio)
“Quando o desaparecimento ocorreu, em fevereiro, minha mãe contou para mim e para meu pai sobre a história. Ela disse que tinha cuidado de duas meninas, mas que uma delas havia sumido e, para mãe, alegaram erro na ultrassonografia. Só que ela nunca disse o que tinham feito com a menina”, afirma Wesley.

O homem explica que Maria Rodrigues foi internada no HFA em 21 de outubro, para exames pré-cirúrgicos, que indicariam alergias a medicamentos ou a anestesia. Às 7h do dia 22, a enfermeira foi para a mesa de cirurgia e tomou a anestesia. Ela sequer chegou a ser operada.

“Ela teve reação alérgica à anestesia e os médicos levaram mais de 10 minutos para entubá-la. Quando questionamos isso, alegaram que o procedimento tinha sido difícil. Por causa do tempo, diminuiu o oxigênio no cérebro da minha mãe e ela entrou em coma. Ela passou todos os dias na Unidade de Tratamento Intensivo, com visitas restritas. Até hoje não tiro da minha cabeça o quão receosa ela estava por fazer a cirurgia naquele hospital (HFA)”, lamenta Wesley.

Ele destaca que não tinha contato anterior com Patrícia e só a encontrou nos últimos dias, pela internet. “Eu vi a postagem sobre a Jéssica e Nathália. Ao ler sobre o testemunho da enfermeira, que morreu pouco depois, percebi que se tratava da minha mãe. Seria muita coincidência dois desaparecimentos de gêmeas, no mesmo ano, no HFA”, afirma.

Wesley voltará à 3ª DP na semana que vem, para formalizar o depoimento. O pai dele, o aposentado José Bezerra da Silva, 72, também será chamado para prestar esclarecimentos.

Fonte: Correio Braziliense

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