A ACP busca implantar diversas medidas de prevenção e combate à pandemia do novo coronavírus no sistema carcerário, que conta com cerca de 52 mil presos
O sistema penitenciário do Rio de Janeiro já registra duas mortes decorrentes do novo coronavírus. A fim de evitar a propagação da doença em um ambiente que já padece com a falta de estrutura e acesso à saúde, a Defensoria Pública (DPRJ) e o Ministério Público (MPRJ) moveram uma Ação Civil Pública (ACP) para requerer a adoção de protocolos contra a Covid-19 nos presídios fluminenses. A petição foi ajuizada nessa quarta-feira (29) e distribuída à 9ª Vara da Fazenda Pública.
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A ação é assinada pela Coordenação de Saúde e Tutela Coletiva e pelo Núcleo do Sistema Penitenciário (Nuspen) da DPRJ, assim como pela 2ª Promotoria de Justiça de Saúde da Capital do MPRJ. E tem como réus o Estado, o Município do Rio de Janeiro e a Associação Filantrópica Nova Esperança, que executa serviços de saúde no Pronto-Socorro Geral Hamilton Agostinho, unidade de saúde do sistema penitenciário.
A ACP busca implantar diversas medidas de prevenção e combate à pandemia do novo coronavírus no sistema carcerário, que conta com cerca de 52 mil presos. Nesse sentido, a Defensoria Pública e o MPRJ pedem a concessão de liminar que determine as seguintes ações:
– Implantação de equipes de saúde nas unidades para a realização de atendimento básico durante o período da pandemia;
– Criação de leitos de internação em enfermaria e centro de terapia intensiva dentro do Complexo de Gericinó;
– Adoção de um fluxo rápido de transferência dos casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 para unidades hospitalares da rede pública de saúde;
– Separação de espaços em estabelecimentos públicos ou privados para o isolamento dos casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 que não necessitem de internação médica;
– Testagem em massa da população privada de liberdade e fornecimento de vacinas contra gripe e sarampo.
Diálogo frustrado
A ACP foi movida após diversas tentativas de ajustes no sistema prisional, requeridas pela DPRJ e MPRJ em reuniões e em recomendações enviadas para a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), com o assessoramento de órgãos técnicos, como a FIOCRUZ e o Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura. Na avaliação das instituições, o diálogo deixou evidente que, até o momento, o Poder Executivo não possui planejamento adequado de ações para efetivo enfrentamento da epidemia no sistema prisional.
À falta de um plano de contingência, soma-se o histórico de superlotação do sistema penitenciário e sua característica aglomeração forçada, que contribuem para a formação de grupos de riscos, como destaca o defensor público Marlon Barcellos, coordenador do Nuspen.
– Apesar de alguns esforços administrativos ainda insuficientes, em pouco tempo o número de óbitos no sistema penitenciário evoluiu e óbitos positivados para COVID-19 se seguiram – destacou.
De acordo com a promotora de Justiça Madalena Junqueira Ayres a situação é crítica. Após a decretação da pandemia não houve adoção de medidas para adequação da assistência ao enfrentamento da doença no sistema penitenciário do Rio de Janeiro. A promotora ressaltou a enorme desigualdade quanto ao acesso às medidas de prevenção e combate do coronavírus pela população privada de liberdade, a começar pelas restrições à água e produtos de higiene.
– Não há dúvidas de que o vírus já ingressou no sistema prisional e, ausentes medidas de controle para sua disseminação, muito mais rápido num ambiente de confinamento superlotado. Já há duas mortes confirmadas por COVID, e os poucos dados públicos disponíveis demonstram que a mortalidade nos meses de março e abril é duas vezes maior do que nos meses de janeiro e fevereiro, aumento este que coincide com o período do início da pandemia. Portanto, na inércia administrativa das autoridades competentes, cabe ao Poder Judiciário a imediata intervenção – destaca.
Primeiro óbito há duas semanas
Sem concurso para a área de saúde desde 1998, o sistema penitenciário fluminense já estava vulnerável a doenças infectocontagiosas, o que tem originando uma série de Ações Civis Públicas propostas desde 2012, como para combater a tuberculose, que tem alto índice de contaminação no sistema.
Há cerca de duas semanas, houve o primeiro óbito por coronavírus: um idoso com 73 anos, que já havia comparecido seguidas vezes no Pronto Socorro Geral Hamilton Agostinho com sintomas e sem testagem ou tratamento adequado. Esse fato pode ter levado a mais contaminações no sistema prisional, resultando em mortes já positivadas ou ainda sob investigação.
– O monitoramento dos casos suspeitos por Writing Studio /publico/sarova.ashx/Portal/sarova/imagem-dpge/public/arquivos/ACP__coronavirus_sistema_prisional__versao_29042020__assinado.pdf” target=”_blank” rel=”noopener noreferrer”>aqui a ACP.
Processo n. 0087229-92.2020.8.19.0001
Fonte: Ascom-DPRJ
Só pode estar de brincadeira transferir presos para o sistema de saúde. Por que ñ se estuda montar um centro para atender essa demanda dentro das dependências do complexo penitenciário?