Blog do Adilson Ribeiro

Quinta-Feira -18:20 – Pré-candidato a prefeito, médico dispara: “A saúde de Campos é uma vergonha”. Veja Abaixo:

ELEIÇÃO/PREFEITURA – O médico Bruno Calil é o entrevistado desta quinta-feira dentro da série do Campos 24 Horas

Nesta quinta-feira (24), o Campos 24 Horas entrevista o médico Bruno Calil (SD), 37 anos, que foi oficializado candidato a prefeito de Campos e representará o grupo político do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) na eleição de 15 de novembro. O médico fala, entre outros assuntos, sobre as dificuldades que encontrará nas finanças da prefeitura, os impactos da atual gestão em áreas vitais como Saúde, Educação,  Economia e Agricultura. Como médico vive diariamente a realidade do SUS, e dispara, convicto. “Com os recursos que tem, a Saúde em Campos é uma vergonha! É preciso um tratamento de choque para melhorar, e muito”. Ele também se mostra frontalmente contra o que vem sendo feito pelo atual governo, e afirma: vai cortar “uma série de gastos supérfluos… até contratos milionários”.  E ainda avalia o atual cenário político da cidade. Aos 37 anos, ele traz consigo o espírito decidido e desbravador do homem oriundo do interior (nasceu em Murundu, criado em Vila Nova) e a convivência diária com a massa urbana e as dificuldades dos que moram na periferia. Confira abaixo a entrevista completa com o pré-candidato a prefeito pelo Solidariedade.

Campos 24 Horas – O que lhe move em ser candidato a prefeito de Campos? O que mais lhe fez aceitar este desafio?

Bruno Calil – A minha vida me preparou para esse momento. Nesse momento difícil que Campos vive, nós que somos pessoas de bem devemos fazer o que for preciso para ajudar a nossa cidade. Quando me convidaram para ser candidato a prefeito, eu não pensei duas vezes. A minha vida sempre foi cheia de desafios e eu tenho certeza que esse é mais um que vou encarar e vencer. Eu trabalho desde os 12 anos de idade, com muita dificuldade consegui me formar médico, a minha vida sempre foi pautada no trabalho e no estudo. E eu tenho certeza que com muito trabalho posso mudar a realidade da nossa cidade. Então, na hora em que a cidade mais precisa de mim, eu estou pronto para trabalhar Writing Studio todos os tamanhos, desde os pequenos, como aluguéis de prédios não utilizados, até contratos milionários. Esse é o primeiro passo para começar a diminuir os gastos. Mas é claro que uma questão essencial é o aumento da receita própria, investindo em outras áreas que possam alavancar a economia da cidade. Eu, como alguém que veio do interior, posso destacar como exemplo o agronegócio e a agricultura familiar, que foram abandonados pelo poder público, mesmo com a cidade tendo grande potencial para isso. Uma cidade como Campos não pode continuar projetando o futuro com base somente nos royalties do petróleo, afinal uma hora eles vão acabar.

C24H – Como médico, como avalia o quadro da Saúde? Que nota o senhor daria a Saúde em Campos?

Bruno – A saúde de Campos é uma verdadeira vergonha. As unidades de saúde não tem médicos. Quando tem médico, não tem remédio. Mesmo com um orçamento gigantesco, ainda falta o básico nos hospitais. Campos precisa de uma saúde que funcione, para isso é preciso que o poder público adote estratégias que dão certo. Não adianta gastar muito se os recursos não se transformarem em atendimento de qualidade para a população. E é importante deixar claro que a saúde só não está pior porque, apesar da péssima gestão, nossos servidores lutam diariamente, mesmo em péssimas condições, para garantir o melhor atendimento possível a população

C24H – E a Educação, que desta vez não foi sequer objeto de avaliação?

Bruno – A nota do IDEB, que ainda não foi divulgada, é na verdade a nota da vergonha. A educação pública em Campos foi abandonada. Eu, por ter estudado em escola pública e por ser filho de uma professora da rede pública municipal, sei da importância da educação na vida das pessoas. Foi através da educação que eu consegui me formar como médico, mesmo com muita dificuldade e vindo do interior. Esse tipo de oportunidade deve estar acessível a todos na nossa cidade. A educação de Campos não pode continuar sendo tratada da forma que está sendo nos últimos 40 anos.

C24H – Quais as políticas para melhorar o quadro das finanças da prefeitura, a curto e médio prazo?

Bruno – A curto prazo, como eu disse, é através do corte de gastos menos necessários que a prefeitura pode iniciar um processo de equilíbrio das contas públicas. Não é minimamente aceitável um município em crise pagar quase R$ 4 milhões em plantas ornamentais, por exemplo. Já a longo prazo, Campos precisa aumentar sua receita própria e não deixar que os royalties sejam a principal fonte de recursos para o planejamento das ações da prefeitura. É preciso, além da agricultura, que eu comentei antes, atrair investimentos para a cidade, aumentando a circulação de recursos e consequentemente a arrecadação. É preciso provar para as empresas que Campos é um bom lugar para se investir, e isso só vai acontecer quando houver uma gestão séria, que trate da prefeitura com responsabilidade e passe segurança para os investidores. Com isso, é possível gerar emprego e renda e ao mesmo alavancar a nossa economia de forma sustentável e duradoura. Campos deve ser uma das únicas cidades do mundo que perdeu uma fábrica da Coca-Cola e junto com ela centenas de empregos diretos e indiretos. Não podemos mais aceitar que a nossa cidade seja referência de fracasso administrativo.

C24H – Apesar do panorama crítico das finanças municipais, não faltam candidatos a prefeito. Como o Sr. avalia este cenário?

Bruno – É justamente pelo momento crítico que Campos enfrenta que eu me coloquei à disposição do partido para concorrer às eleições. Em um momento como esse, se as pessoas bem intencionadas não participarem da política, os lobos vão continuar governando. Sobre os outros candidatos, é importante que a população de Campos avalie as motivações de cada um. Existem hoje três famílias que se revezaram no poder por quase 40 anos e são as responsáveis por tudo que a cidade sofre hoje. E agora tem mau governante querendo segunda chance, filho de corrupto dizendo que é o novo e malandro dizendo que vai trabalhar. É importante que a população de Campos não esqueça quais são essas famílias, o que elas fizeram com a cidade e quem são os representantes delas nessas eleições.

C24H – Quase há um consenso sobre a necessidade de se fortalecer os investimentos na agricultura. Quais, em linhas gerais, suas ideias para efetivar uma política de incentivos ao campo?

Bruno –  O investimento na agricultura é complexo e precisa ser feito com muita responsabilidade. Não basta só incentivar o produtor a plantar. Além dos incentivos para a produção, a prefeitura precisa também estar atenta a todos os procedimentos envolvidos, desde o plantio até a venda, para garantir que os investimentos na área sejam viáveis. Para isso, é preciso cuidar de todas as estradas, para garantir facilidade no escoamento da produção, garantindo patrulha mecanizada permanente para manutenção dessas vias, além de preparar as centrais de abastecimento, popularmente conhecidas como Ceasa, para garantir que os produtos sejam corretamente distribuídos e vendidos, tanto na cidade quanto em outros municípios e estados. A agricultura, se for priorizada pelo poder público, pode voltar a ser uma grande força econômica da nossa cidade.

C24H – E o Fundecam? Qual o papel que terá em seu governo?

Bruno – Infelizmente, ao longo dos anos o FUNDECAM foi objeto de absurdos, perdendo a sua principal finalidade. Praticamente todas as empresas que tiveram crédito no FUNDECAM ou quebraram ou deram calote nos cofres públicos. Enquanto isso, o nosso comércio local morre, não temos indústrias ou grandes empresas empregadoras e a nossa taxa de desemprego só aumenta. Campos precisa ser levada a sério, com uma gestão que esteja comprometida a fazer o melhor e preocupada com o bem estar da nossa população.

Fonte: Campos 24 Horas

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