Blog do Adilson Ribeiro

Campos – Terça-feira – 11:07 – CORONAVÍRUS – Médicas da linha de frente temem pelo pior e defendem fechamento da cidade. Veja Abaixo:

CAMPOS – Depoimentos dramáticos de duas profissionais resumem o colapso no sistema de atendimento

Os dramáticos depoimentos de duas médicas que atuam na linha de frente do combate ao Covid-19 em Campos traduzem mais do que um pedido, mas um grito de clamor para que a população cumpra as medidas restritivas em nome da vida, a fim de a situação não se agrave de tal forma a um ponto ainda de maior gravidade no município, ainda com ocupação de 100% nos leitos de UTI e um ritmo acelerado de contaminação. Um dos dados que mais assustam é relacionado aos jovens, que são em grande número nos leitos do CCC.

Tivemos sete entubações num só dia. Era sair de um entrar em outro e reanimar mais um. E a gente vai chegar no momento em que vai ter que escolher, isso está muito próximo acontecer. Não gostaria de estar vivendo este momento, mas se as medidas restritivas não forem encaradas com seriedade, não sei o que vai ser da gente — disse a médica Simone Serafim, coordenadora de UTI, do Hospital da Beneficência Portuguesa, onde fica instalado o Centro de Combate e Controle do Coronavírus (CCCC). (leia mais abaixo)

 

Simone conta que “a velocidade da entrada de doentes tem sido maior do que velocidade de saída”. Segundo a médica, “atualmente é assustador o grande numero de jovens que chegam em estado extremamente grave. A taxa de mortalidade é altíssima”.

Já Patrícia Meireles, diretora clínica do CCCC, defendeu que a cidade precisa ser fechada por alguns dias, afirma que a sobrecarga dos médicos tem ido além da capacidade com a demanda por atendimento pela entrada contínua de pessoas gravemente doentes.

A gente se mantém muita elevação além do nosso potencial nas ultimas duas semanas. São pacientes chegando gravemente acometidos em busca de leitos e necessidade de suplementação de oxigênio de uma forma contínua. Muitos chegando com necessidade de entubação e ventilação mecânica invasiva vindos de casa. Coisa que a gente não via e hoje vemos com muita frequência. Nosso sistema está colapsado. Nos últimos dias vemos assustadoramente grande quantidade de óbitos, apesar todo empenho do nosso corpo clínico e de toda nossa estrutura gente tem — relatou.

Patrícia fez um brado de alerta ao defender medidas restritivas mais rígidas. “Esta cidade precisa parada, mesmo que seja por menos tempo. Fechada mesmo, para que as pessoas parem de transitar nas ruas tamanho o caos que a gente hoje vive neste momento — alertou.

Fui eu quem instalei todos oxímetros da unidade (CCCC) com as minhas próprias mais para ter certeza de não vazamento de oxigênio, a fim de que a oferta oxigênio fosse adequada para todos. Hoje eu não tenho como fazer. Tenho pacientes dividindo cilindro de oxigênio na emergência, outros dividindo respirador, outros disputando cadeiras. Se nada for feito, a gente não tem mais o que fazer a não ser esperar o óbito de uma grande parte da população — concluiu.

Fonte: Campos 24 Horas.

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