Onda de calor que assola África e Europa, batizada de Lúcifer, deixa o clima em situação desesperadora; confira como o fenômeno pode refletir no Sul do Brasil
Uma forte onda de calor vem assolando regiões do Norte da África e do Sul da Europa nos últimos dias. Nesta quarta-feira (11), inclusive, um recorde de quase 45 anos anos foi quebrado na Ilha da Sicília, na Itália, que registrou um calor de 48,8°C.
Calor escaldante registrado na Itália, ao longo da semana; alerta de calor-extremo vai até o dia 20, pelo menos – Foto: Cecília Fabiano/Associated Press/Estadão ConteúdoTrata-se de um um anticiclone — apelidado de Lúcifer — proveniente da África. A origem do calor, segundo especialistas, é o deserto do Saara e, isso, de alguma forma, explica a intensidade do clima.
Os anticiclones são áreas de alta pressão atmosférica formada pelo ar que se afunda. O ar, ao ser comprimido, aquece e fica seco.
Conforme a OMM (Organização Meteorológica Mundial) o valor de 48,8°C foi aferido e superou o recorde, de 1977, quando Atenas, na Grécia, chegou aos 48°C.
Coincidentemente, a temperatura foi contabilizada na mesma semana em que a ONU (Organização das Nações Unidas), por meio do seu Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês Intergovernmental Panel on Climate Change), emitiu uma espécie de “alerta” para os quase irreversíveis danos causados pela ação humana.
Para o professor de Climatologia do Departamento de Geografia da UFRGS (Universidade Federal Rio Grande do Sul), Francisco Eliseu Aquino, independente do recorde ou não dos valores alcançados entre a Europa e a África, o fato é que se trata de uma temperatura altamente danosa para a saúde humana.
“O fenômeno é impactante para a saúde e para o meio ambiente. Ondas de calor nos geram stress físico e orgânico, potencializam infartos e doenças cardíacas”, ponderou.
Na Argélia, o calor está atingindo valores extremos raramente vistos. A máxima na cidade de Bejaia foi de 48,4ºC, a maior da série histórica da estação local, superando o recorde anterior de 45,3ºC em 3,1ºC.
As máximas entre 48ºC e 49ºC que têm sido registradas na Argélia estão entre as mais altas já observadas em qualquer lugar do continente africano em áreas costeiras.
A situação não deve melhorar nos próximos dias e em alguns países deve, inclusive, piorar. Uma imensa massa de ar extremamente quente atua na região com um padrão de bloqueio atmosférico associado ao anticiclone Lúcifer.
Temperatura do ar que paira sobre a Europa e a África, nesse momento – Foto: MetDesk/divulgaçãoHá uma imensa bolha de calor, o que em inglês se chama de heat dome, que traz uma longa sequência de dias de tempo seco e quente. O calor e o tempo seco se retroalimentam e pioram ainda mais a situação.
Reflexos no Brasil
Para o professor da UFRGS não há uma relação direta com o Brasil ou até mesmo a região Sul do País. O professor evita fazer uma comparação, mas explica que há uma relação indireta, sobretudo, com as ondas de frio registradas entre julho e agosto.
O professor lembra, no entanto, que há uma espécie Writing Studio 33-800×533.jpg” alt=”Calor escaldante registrado na Itália, ao longo da semana; alerta de calor-extremo vai até o dia 20, pelo menos – Foto: Cecília Fabiano/Associated Press/Estadão Conteúdo” width=”800″ height=”533″ />Calor escaldante registrado na Itália, ao longo da semana; alerta de calor-extremo vai até o dia 20, pelo menos – Foto: Cecília Fabiano/Associated Press/Estadão Conteúdo
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