Leonardo Felipe Xavier Santiago, torcedor do Flamengo responsável por matar a palmeirense Gabriela Anelli, vai responder por homicídio doloso, quando há intenção de matar. A informação foi confirmada por César Saad, delegado da Delegacia de Repressão aos Delitos Esporte (Drade).
Preso em flagrante ainda no sábado, Leonardo, segundo o delegado, admitiu em uma coversa informal com policiais que atirou a garrafa. Em depoimento um pouco antes, porém, o flamenguista disse que atirou apenas gelo, e as pedras eram pequenas e nem teriam atingido a divisória de torcedores.
– O autor do arremesso da garrafa está preso, detido, desde o início do confronto. Hoje só mudou a natureza do inquérito. Passou de homicídio tentado para doloso – explicou Saad.
– Ele assume que atirou a garrafa. Não diz que foi em direção a Gabriela. Diz que era um confronto entre as torcidas, ambas arremessavam, e que ele havia, sim, arremessado uma garrafa.
Apesar do depoimento, Saad reforçou em entrevista que o torcedor foi identificado e admitiu ter atirado a garrafa que acertou Gabriela.
– As provas testemunhais descrevem até a roupa que ele estava usando. Na delegacia ele confessou que jogou a garrafa. Todas as testemunhas que estavam lá, que também foram atingidas por garrafas, apontaram ele como autor – completou o delegado.
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O caso aconteceu por volta das 18h, na região da rua Padre Antônio Tomás, próximo ao setor de visitante do Allianz Parque. Neste horário, o policiamento ainda não estava presente no entorno do estádio. Questionado se houve uma falha da segurança pública, Saad respondeu:
– Falha não, porque o policiamento não estava lá. Agora, um planejamento melhor, sim, (precisamos) com certeza. Essa vulnerabilidade do portão que causou a confusão e a morte da Gabriela vai ser motivo para que nos próximos jogos se tenha total atenção estratégica.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, Leonardo Felipe Xavier Santiago, torcedor do Flamengo de 26 anos, atirou a garrafa quando a divisória que separava a torcida local e visitante foi aberta próxima ao portão D para a passagem de uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
– Todas as imagens, provas testemunhais, tudo que foi colhido desde sábado até o presente momento, depois da morte da Gabriela, apontam o seguinte. Por volta de 17h45, algumas vans com torcedores do Flamengo, não organizados, comuns, chegaram ao portão que dá acesso à torcida visitante. Neste momento, começa uma discussão entre torcedores do Palmeiras, que já estavam nos arredores do Allianz Parque, comuns também, que passam a se xingar – relatou Saad.
– Existe um portão que faz a divisória da rua. Naquela divisória, passam-se, além de xingamentos, torcedores arremessando garrafas. Rapidamente dá para ver que a Gabriela cai no chão, depois fomos entender que ela foi atingida por um estilhaço. O portão estava com uma parte aberta, e foi possível identificar o autor do arremesso da garrafa. Ele foi detido. Foi lavrado o flagrante de homicídio, depois a prisão preventiva. Hoje, Gabriela faleceu vítima do corte no pescoço.
Gabriela foi socorrida por uma ambulância que fica dentro do próprio estádio. A jovem então foi encaminhada para a Santa Casa e operada na noite do próprio sábado. Ela sofreu duas paradas cardíacas e morreu na manhã desta segunda. A perícia confirma que o corte sofrido por Gabriela foi de um estilhaço de garrafa.
A Polícia Civil está no Allianz Parque em busca de novas imagens para continuar a apuração do caso. Já se sabe que Leonardo viajou do Rio de Janeiro (RJ) para assistir ao jogo e é ex-membro de uma torcida organizada. O caso, porém, não é tratado como um confronto de uniformizadas.
O autor é do Rio de Janeiro, veio a São Paulo assistir ao jogo. É ex-integrante da Fla Manguaça. Ele não veio com a caravana da organizada. Acessou a parte externa do estádio por conta própria. Ele não tinha passagem. E quero aproveita o espaço para dizer que, independente do crime, a Polícia Civil vai sempre trabalhar com imparcialidade, seja o torcedor organizado ou não. Vamos apurar da mesma forma. O homicídio dele é qualificado, e hoje foi consumado – avisou o delegado.
A morte de Gabriela não tem nenhuma relação com o confronto que aconteceu entre torcedores e a Polícia Militar na rua Caraíbas. Esta confusão fez com que o jogo fosse interrompido por duas vezes por conta dos efeitos do gás de pimenta usado fora do estádio.
– Houve duas brigas no Allianz Parque. Uma dessa, do lado oposto às organizadas. A briga que culminou na morte da Gabriela, na Padre Antonio Tomás. Por volta das 21h15, 21h30, estava tendo uma festa junina na sede social do clube, e há relatos que flamenguistas caminhavam por ali.
– Ouvimos integrantes das organizadas do Palmeiras também, que nos disseram o seguinte: havia torcedores que estavam sem camisa do Palmeiras. E vocês sabem, por não estar a usando a camisa mandante, já houve muitas confusões. Essa, sim, foi preciso a intervenção do Choque da Polícia Militar, que utilizou armamento menos letais. Aí, sim, parte entrou no estádio, o jogo precisou ser paralisado.
Com informações do GE.


