Familiares e amigos do menino Ythallo Raphael Tobias Rosa, de 6 anos, chegaram para o enterro da criança na tarde desta quarta-feira, com faixas nas mãos, camisas brancas e gritos de pedidos de Justiça. O corpo do menino foi velado na comunidade Primavera, em Cavalcanti, onde a família mora. Os pais não conseguiram acompanhar o sepultamento no cemitério de Inhaúma, também na Zona Norte. A mãe da criança passou mal, desmaiou e precisou ser socorrida.
Entre os louvores e orações, a voz da tia do menino, Michele Tobias Rosa, ecoava com gritos embargados pelo choro.
— Acabaram com a vida dele. Por que, meu Deus? Levaram o nosso menino. Aproveitaram da fome dele para matar. Que mundo é esse? Que vida é essa em que as nossas crianças não podem nem brincar em paz? Ela matou um anjo, o Ythallo só tinha 6 anos — lamentou ela.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro analisa imagens de câmeras de segurança na comunidade Primavera, em Cavalcanti, Zona Norte, para identificar a mulher que teria dado os doces supostamente envenenados a crianças.
Michele descreveu Ythallo como uma criança carinhosa, brincalhona, alegre e de que todos gostavam.
— Ele tinha o coração tão bom que dividiu o bombom ali na rua onde ele estava. Já pensou se ele tivesse levado o doce para a comunidade? Podiam ser mais de duas mães chorando hoje — disse.
Segundo Michele, a família não sabe quem pode ter envenenado a criança.
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— Falaram que nós tínhamos desavenças com outras pessoas. Isso é mentira. A comunidade toda gostava dele e a gente não tinha inimizade. Infelizmente, se aproveitaram do dia de Cosme e Damião para envenenar ele. A gente não está na mente das pessoas para entender a crueldade — lamentou Michele.
Os cartazes brancos, carregados por outras crianças e pela família do menino, pediam “menos maldade e mais amor” e “justiça por Ythallo e Benjamin”. Ao menos seis professoras do colégio em que o menino estudava também participaram da cerimônia de despedida.
Na última sexta-feira, Ythallo não tinha ido à escola. Por volta das 17h, ele estava brincando com o primo de 12 anos no momento do ocorrido. Os dois andavam de bicicleta na rua Antônio Saraiva quando foram abordados pela mulher de moto que os entregou o bombom.
— Ele estava brincando de bicicleta na rua Antônio Saraiva, ela chegou de moto e ofereceu o bombom para eles. O meu sobrinho mais velho, de 12 anos, negou o bombom porque ele disse que estava com a barriga cheia. Só que o Ythallo pegou e comeu, logo assim que ele comeu, viu um coleguinha voltando da escola e dividiu o doce. Ele tinha uma vida pela frente. Para você ver o tamanho da crueldade dessa mulher, o veneno devia estar muito forte porque um bombom fez mal a duas crianças — conta a tia, que continuou respondendo aos questionamentos que a família tem recebido — para quem estava falando dele estar na rua, a gente mora em comunidade. Só tem ali para eles brincarem. Se a gente tivesse dinheiro, ia morar em um lugar melhor, mas não temos — explicou ela.
Michele conta ainda que pediu ajuda aos moradores da rua onde aconteceu a entrega do bombom para encontrar a mulher da moto.
— Essa mulher matou um menino de 6 anos com um bombom. É um monstro. Ela acabou com a vida de uma criança. Até quando as nossas crianças não vão poder ficar em paz? Por favor, quem tiver as filmagens, que tiver imagens de câmeras de segurança, entrega para a polícia e mostra para a gente. Ajuda a gente porque é a minha família que está chorando e eu não quero ver outras mães perdendo seus filhos. A única coisa que nós queremos saber é quem matou Ythallo — pediu a tia.
Ao final do sepultamento, que acabou com uma salva de palmas, as súplicas de uma criança emocionaram a todos.
— Meu irmão, eu quero o meu irmão. Volta, por favor, volta. Eu quero o meu irmão — gritou a irmã mais velha, de 8 anos. Após pedir por Ythallo em prantos de choro, a menina desmaiou e também precisou ser socorrida.
Fonte: Extra