Rio – O rapper Oruam foi transferido, nesta segunda-feira (4), para uma cela compartilhada com presos do Comando Vermelho. Mauro Davi dos Santos Nepomuceno está preso no complexo da Penitenciária Dr. Serrano Neves, em Bangu, Zona Oeste.
Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), a transferência aconteceu após audiência de custódia no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).
Oruam, de 25 anos, virou réu por tentativa de homicídio qualificada contra um delegado e um policial civil durante uma operação na mansão no Joá, também na Zona Oeste. Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, 22, amigo do músico, também responderá pelo crime. O cantor se entregou na Cidade da Polícia, na Zona Norte, uma semana antes da decisão judicial.
A denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) encaminhada ao TJRJ, na segunda-feira (28), Oruam e um grupo de amigos atacaram agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) com pedras e soco. O objetivo deles seria impedir a apreensão de um adolescente identificado como “Menor Piu”, que estava escondido no imóvel.
Os promotores afirmam que Oruam e Willyam agiram com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de matar. A denúncia destaca que algumas das pedras arremessadas pesavam até 4,85 kg, com potencial para causar lesões fatais. Ao todo, sete pedras teriam sido jogadas do de uma janela do andar superior, em uma altura de 4,5 metros. Diante da gravidade dos fatos, o MPRJ pediu a prisão preventiva dos dois, alegando risco à ordem pública e à condução das investigações.
Nas imagens, é possível ver Oruam e vários amigos discutindo com os agentes, que entram no veículo. Eles estavam no local para cumprir mandado de busca e apreensão contra um adolescente apontado como ladrão de carros. Em certo momento, o artista atinge ao menos quatro vezes a janela do motorista, onde estava Moysés. Em seguida, um dos homens puxa o cantor para que ele se afastasse do carro. Enquanto isso, outros continuam gritando e gesticulando em direção aos policiais.
Prisão preventiva
De acordo com Mello, a postura do rapper abala a ordem pública, pois ele se trata de uma figura conhecida e pode incitar fãs a terem o mesmo tratamento contra policiais.
“O acusado Mauro, com visibilidade em razão de suas apresentações como ‘artista’, é referência para outros jovens e que, como o ora acusado, podem acreditar que a postura audaciosa de atirar pedras e objetos em policiais é a mais adequada e correta, sem quaisquer consequências. A paz pública, portanto, depende de medidas firmes e extremas, como a prisão, a fim de que seja preservada”, justificou.
Na ocasião, o policial Alexandre foi golpeado nas costas e no calcanhar esquerdo, enquanto o delegado Moyses conseguiu se abrigar atrás da viatura. Os veículos utilizados na operação foram danificados.
Processo por outros crimes
Além do processo da tentativa de homicídio, o MPRJ denunciou, nesta terça-feira (29), Oruam e outras três pessoas por lesão corporal, tentativa de lesão corporal, resistência com violência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público.
A denúncia foi protocolada pela Promotoria de Justiça junto à 27ª Vara Criminal da Capital. Assim como o rapper, respondem pelos crimes: Willyam Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais – preso em flagrante no dia da confusão – e Victor Hugo Vieira dos Santos.
O que diz a defesa de Oruam
Na ocasião da da decisão da Justiça por tornar Oruam réu, o filho de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho, admitiu, por nota, que atirou pedras contra os agentes, mas alegou que o fez após ser ameaçado com armas. “Só joguei pedras depois de ser ameaçado com armas de fogo, e tenho provas”, iniciou.
Segundo o rapper, mais de 20 viaturas entraram na casa “de forma abrupta e agressiva”, com policiais descaracterizados, que revistaram o local, rasgaram pertences seus e de sua noiva, Fernanda Valença, e apontaram fuzis contra os dois.
A defesa do músico falou ainda em “caça às bruxas” para se referir a processo contra o cliente: “Tudo indica que estamos diante de uma construção jurídica e midiática, baseada em suposições e testemunhos frágeis, e não em provas concretas capazes de sustentar uma acusação de tentativa de homicídio qualificada. Nosso compromisso é com a Justiça e a prova material como base para qualquer condenação”.
