Blog do Adilson Ribeiro

Terça-feira – 08:55 – Torcedor do Flamengo admitiu ter atirado garrafa que matou palmeirense. Veja Abaixo:

Leonardo Felipe Xavier Santiago, torcedor do Flamengo responsável por matar a palmeirense Gabriela Anelli, vai responder por homicídio doloso, quando há intenção de matar. A informação foi confirmada por César Saad, delegado da Delegacia de Repressão aos Delitos Esporte (Drade).

Preso em flagrante ainda no sábado, Leonardo, segundo o delegado, admitiu em uma coversa informal com policiais que atirou a garrafa. Em depoimento um pouco antes, porém, o flamenguista disse que atirou apenas gelo, e as pedras eram pequenas e nem teriam atingido a divisória de torcedores.

– O autor do arremesso da garrafa está preso, detido, desde o início do confronto. Hoje só mudou a natureza do inquérito. Passou de homicídio tentado para doloso – explicou Saad.

– Ele assume que atirou a garrafa. Não diz que foi em direção a Gabriela. Diz que era um confronto entre as torcidas, ambas arremessavam, e que ele havia, sim, arremessado uma garrafa.

Apesar do depoimento, Saad reforçou em entrevista que o torcedor foi identificado e admitiu ter atirado a garrafa que acertou Gabriela.

– As provas testemunhais descrevem até a roupa que ele estava usando. Na delegacia ele confessou que jogou a garrafa. Todas as testemunhas que estavam lá, que também foram atingidas por garrafas, apontaram ele como autor – completou o delegado.

 

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O caso aconteceu por volta das 18h, na região da rua Padre Antônio Tomás, próximo ao setor de visitante do Allianz Parque. Neste horário, o policiamento ainda não estava presente no entorno do estádio. Questionado se houve uma falha da segurança pública, Saad respondeu:

– Falha não, porque o policiamento não estava lá. Agora, um planejamento melhor, sim, (precisamos) com certeza. Essa vulnerabilidade do portão que causou a confusão e a morte da Gabriela vai ser motivo para que nos próximos jogos se tenha total atenção estratégica.

Gabriela Anelli estava internada em estado grave na Santa Casa. Jovem de 23 anos foi atingida no pescoço por garrafa de vidro em confusão no jogo Palmeiras x Flamengo. Ela sofreu duas paradas cardíacas.

Gabriela Anelli, 23 anos, torcedora morta em confusão no jogo Palmeiras x Flamengo — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o Boletim de Ocorrência, Leonardo Felipe Xavier Santiago, torcedor do Flamengo de 26 anos, atirou a garrafa quando a divisória que separava a torcida local e visitante foi aberta próxima ao portão D para a passagem de uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

– Todas as imagens, provas testemunhais, tudo que foi colhido desde sábado até o presente momento, depois da morte da Gabriela, apontam o seguinte. Por volta de 17h45, algumas vans com torcedores do Flamengo, não organizados, comuns, chegaram ao portão que dá acesso à torcida visitante. Neste momento, começa uma discussão entre torcedores do Palmeiras, que já estavam nos arredores do Allianz Parque, comuns também, que passam a se xingar – relatou Saad.

– Existe um portão que faz a divisória da rua. Naquela divisória, passam-se, além de xingamentos, torcedores arremessando garrafas. Rapidamente dá para ver que a Gabriela cai no chão, depois fomos entender que ela foi atingida por um estilhaço. O portão estava com uma parte aberta, e foi possível identificar o autor do arremesso da garrafa. Ele foi detido. Foi lavrado o flagrante de homicídio, depois a prisão preventiva. Hoje, Gabriela faleceu vítima do corte no pescoço.

Gabriela foi socorrida por uma ambulância que fica dentro do próprio estádio. A jovem então foi encaminhada para a Santa Casa e operada na noite do próprio sábado. Ela sofreu duas paradas cardíacas e morreu na manhã desta segunda. A perícia confirma que o corte sofrido por Gabriela foi de um estilhaço de garrafa.

A Polícia Civil está no Allianz Parque em busca de novas imagens para continuar a apuração do caso. Já se sabe que Leonardo viajou do Rio de Janeiro (RJ) para assistir ao jogo e é ex-membro de uma torcida organizada. O caso, porém, não é tratado como um confronto de uniformizadas.

O autor é do Rio de Janeiro, veio a São Paulo assistir ao jogo. É ex-integrante da Fla Manguaça. Ele não veio com a caravana da organizada. Acessou a parte externa do estádio por conta própria. Ele não tinha passagem. E quero aproveita o espaço para dizer que, independente do crime, a Polícia Civil vai sempre trabalhar com imparcialidade, seja o torcedor organizado ou não. Vamos apurar da mesma forma. O homicídio dele é qualificado, e hoje foi consumado – avisou o delegado.

A morte de Gabriela não tem nenhuma relação com o confronto que aconteceu entre torcedores e a Polícia Militar na rua Caraíbas. Esta confusão fez com que o jogo fosse interrompido por duas vezes por conta dos efeitos do gás de pimenta usado fora do estádio.

– Houve duas brigas no Allianz Parque. Uma dessa, do lado oposto às organizadas. A briga que culminou na morte da Gabriela, na Padre Antonio Tomás. Por volta das 21h15, 21h30, estava tendo uma festa junina na sede social do clube, e há relatos que flamenguistas caminhavam por ali.

– Ouvimos integrantes das organizadas do Palmeiras também, que nos disseram o seguinte: havia torcedores que estavam sem camisa do Palmeiras. E vocês sabem, por não estar a usando a camisa mandante, já houve muitas confusões. Essa, sim, foi preciso a intervenção do Choque da Polícia Militar, que utilizou armamento menos letais. Aí, sim, parte entrou no estádio, o jogo precisou ser paralisado.

Com informações do GE.

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